Caminhão durante fiscalização na base de PRF
Foto: PRF/ Divulgação
Caminhão durante fiscalização na base de PRF

A Polícia Rodoviária Federal (PRF) apreendeu, na terça-feira (14), cerca de 41,5 metros cúbicos de madeira, o equivalente a aproximadamente 22 toneladas, durante fiscalização na rodovia Transbrasiliana (BR-153), em São José do Rio Preto, no interior paulista. A carga, de origem nativa do estado do Pará, tinha como destino o município de Vinhedo/SP e apresentava inconsistências entre as espécies declaradas na documentação e o material efetivamente transportado, incluindo madeira de extração proibida no Brasil.

A abordagem ocorreu durante fiscalização de rotina, quando uma carreta foi parada para verificação dos documentos fiscais e ambientais. Inicialmente, não foram identificadas irregularidades na papelada.

No entanto, ao avançar na inspeção física da carga, os policiais utilizaram técnicas de identificação macroscópica e aplicação de reagente químico, o que revelou divergências relevantes entre o conteúdo transportado e o que constava nos registros oficiais.

Diante da constatação, toda a carga foi apreendida e posteriormente destinada à doação, conforme prevê a legislação ambiental. O motorista foi ouvido e liberado no local.

O responsável pela carga foi autuado por crime ambiental e responderá pelo transporte irregular de madeira nativa.

Fiscalização intensifica combate ao crime ambiental

O caso reforça o papel das fiscalizações rodoviárias no enfrentamento ao transporte ilegal de madeira, prática diretamente ligada ao desmatamento, especialmente na região amazônica.

Segundo dados da própria PRF, apenas em 2026 já foram apreendidos 73 metros cúbicos de madeira ilegal no estado de São Paulo, em duas ocorrências distintas, ambas registradas em São José do Rio Preto, nos dias 3 e 14 de fevereiro.

No ano anterior, em 2025, foram apreendidos 20 metros cúbicos de madeira ilegal na mesma região.

Esse volume representou cerca de 30% de todas as apreensões realizadas pela PRF em território paulista, que somaram 59 metros cúbicos no período.

O noroeste paulista se destaca como uma área estratégica nesse tipo de ocorrência. A região funciona como corredor logístico para o transporte de madeira oriunda, principalmente, dos estados do Pará e Mato Grosso.


Além disso, concentra um mercado consumidor significativo de madeira nativa, o que contribui para intensificar o fluxo desse tipo de carga pelas rodovias locais.

A atuação da PRF busca justamente interromper essa cadeia. Ao barrar cargas irregulares, as operações impactam diretamente o ciclo econômico que sustenta a exploração ilegal de recursos florestais.

Esse tipo de crime não apenas compromete o equilíbrio ambiental, como também alimenta redes ilícitas que atuam à margem da legislação.

As técnicas empregadas na fiscalização, como a identificação macroscópica das espécies e o uso de reagentes químicos, têm se mostrado fundamentais para detectar fraudes que não aparecem na análise documental.

Muitas vezes, cargas ilegais são acompanhadas de documentação aparentemente regular, o que exige métodos mais avançados de verificação.

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