
A Região Metropolitana de Campinas (RMC) registra aumento nos casos de meningite ao longo de 2025 e no início de 2026, segundo dados da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo e boletins epidemiológicos municipais. A elevação ocorre após o período de retração durante a pandemia de Covid-19, quando houve menor circulação de agentes infecciosos e atraso na vacinação.
De acordo com o Centro de Vigilância Epidemiológica (CVE) paulista, o crescimento é gradual desde 2023, com predominância de casos virais e bacterianos.
Na RMC, as notificações aumentaram no último ano e seguem distribuídas entre diferentes faixas etárias, incluindo crianças, adolescentes e idosos.
Levantamentos recentes das secretarias municipais apontam dezenas de casos confirmados neste ano. Parte dos registros envolve meningite bacteriana, forma mais grave da doença e associada a maior risco de complicações e óbito.
Queda na vacinação e diagnóstico tardio preocupam
Especialistas indicam que a redução na cobertura vacinal é um dos principais fatores para o avanço da doença.
Imunizantes como a meningocócica C, pneumocócica e Haemophilus influenzae tipo b (Hib) são considerados essenciais para prevenir quadros graves, mas ainda não atingem níveis ideais em diversos municípios.
Para Andreia Ribeiro, coordenadora do curso de Enfermagem do Centro Universitário Unimetrocamp Wyden, o cenário exige maior atenção da população e dos serviços de saúde.
“A meningite é uma doença potencialmente grave, mas que pode ser prevenida em muitos casos por meio da vacinação, higienização periódica das mãos e uso de máscara facial por pessoas com sintomas respiratórios. O que temos observado é uma combinação de baixa adesão às vacinas e diagnóstico tardio, o que favorece a transmissão e agrava os quadros clínicos”, afirma.
A especialista ressalta que os sintomas iniciais podem ser confundidos com outras doenças, dificultando a identificação precoce.
“Febre alta, dor de cabeça intensa, rigidez na nuca, náuseas e sensibilidade à luz são sinais de alerta, principalmente quando associados a quadros gripais, resfriados e inflamações na orelha. Em crianças, podem surgir irritabilidade, vômitos e dificuldade para se alimentar. Diante desses sintomas, é fundamental procurar atendimento médico imediato”, orienta.
Medidas de prevenção incluem, além da vacinação, a higiene frequente das mãos, evitar o compartilhamento de objetos pessoais e manter ambientes ventilados.
Também é recomendado trocar roupas ao chegar em casa e evitar o uso dos mesmos calçados em ambientes internos após circulação em locais com grande fluxo de pessoas.
As autoridades de saúde reforçam que, embora nem todos os tipos de meningite sejam preveníveis por vacina, a imunização segue como principal forma de proteção contra os quadros mais graves.
Campanhas de atualização da caderneta vacinal têm sido intensificadas na região, com foco em crianças e adolescentes.
A orientação é que a população procure unidades básicas de saúde para verificar a situação vacinal e acompanhe os comunicados oficiais sobre a evolução dos casos.