Identidade visual do Trem Intercidades
Imagem: TIC Trens/ Divulgação
Identidade visual do Trem Intercidades

Objeto de debates há mais de duas décadas, um projeto visto como distante da realidade, começou a sair do papel nesta sexta-feira (27). As obras do Trem Intercidades (TIC) Eixo Norte tiveram início em Vinhedo, no interior paulista, dando o pontapé inicial para a implantação do primeiro trem de média velocidade do Brasil.

A iniciativa vai conectar São Paulo a Campinas em cerca de 64 minutos, em um trajeto de aproximadamente 101 quilômetros, com velocidade de até 140 km/h. A previsão é que a operação tenha início em 2031, com capacidade para transportar cerca de 860 passageiros por viagem.

Nesta etapa inicial, os trabalhos se concentram na instalação do canteiro de obras, preparação do terreno, terraplenagem, contenções e implantação de uma passagem inferior à ferrovia para a travessia de veículos.

De acordo com a concessionária TIC Trens, responsável pelo projeto, as intervenções começam no trecho entre Campinas e Jundiaí e avançam gradualmente em direção à capital paulista.

Projeto integra três serviços ferroviários

O TIC Eixo Norte reúne três frentes de operação em um único sistema. O principal deles é o Trem Intercidades, que fará o trajeto expresso entre São Paulo e Campinas, com assentos marcados e espaços para bagagens e bicicletas.

Além disso, o projeto prevê a implantação do Trem Intermetropolitano (TIM), com início estimado para 2029. Esse serviço será parador entre Jundiaí e Campinas, com 44 quilômetros de extensão e paradas em Louveira, Vinhedo e Valinhos. O tempo de viagem nesse trecho será de aproximadamente 33 minutos.

Materiais e operários marcam o início das obras em Vinhedo
Foto: Prefeitura de Vinhedo/ Divulgação
Materiais e operários marcam o início das obras em Vinhedo


A proposta inclui ainda a modernização completa da Linha 7-Rubi, que atualmente liga a capital paulista a Jundiaí. A linha servirá como base operacional para todo o sistema, ampliando a capacidade e melhorando as condições do transporte ferroviário na região.

A expectativa é que o conjunto beneficie diretamente 11 municípios e atenda cerca de 672 mil passageiros por dia. Com isso, o projeto deve reduzir significativamente o tempo de deslocamento, principalmente nos horários de pico, quando o trajeto entre São Paulo e Campinas pode ultrapassar duas horas pelas rodovias.

Estrutura, operação e investimentos

O modelo prevê diferentes perfis de operação. No Trem Intercidades, o trajeto entre Água Branca e Campinas será feito em 1 hora e 4 minutos, com tarifa estimada em R$ 64. J

Para o Trem Intermetropolitano, entre Jundiaí e Campinas, a passagem deve custar cerca de R$ 14,05, com capacidade para mais de 2 mil passageiros por viagem.

Para dar suporte à operação, a concessionária também investe na estrutura de manutenção. Desde novembro do ano passado, sete dos nove veículos adquiridos da China já chegaram ao Brasil, via Porto de Santos. Esses equipamentos são utilizados na manutenção da Linha 7-Rubi e, futuramente, também atenderão o novo trecho até Campinas.

Entre os veículos estão socadoras, locomotivas e vagões específicos para transporte de materiais. Ao todo, cerca de 50 equipamentos integram a frota de manutenção, incluindo caminhonetes rodoferroviárias e máquinas adaptadas para obras ferroviárias.


Investimento bilionário e impacto regional

O contrato de concessão do TIC Eixo Norte tem duração de 30 anos e prevê investimento total de R$ 16,85 bilhões. Desse valor, R$ 9,5 bilhões serão aportados pelo Governo do Estado de São Paulo.

O projeto contempla cerca de 100 quilômetros de extensão e engloba o Trem Intercidades, o Trem Intermetropolitano e a modernização da Linha 7-Rubi. Além de melhorar a mobilidade, a iniciativa deve impulsionar a economia regional, com geração de empregos e valorização das cidades ao longo do eixo ferroviário.

Com o início das obras, o que antes era tratado como um plano de longo prazo passa a ganhar forma no interior paulista. A expectativa agora se volta para a execução das etapas e para os impactos que a nova ligação ferroviária deve trazer à região nos próximos anos.

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