Ana Paula Pestana de Souza, 43 anos,
Foto: Motiva Autoban
Ana Paula Pestana de Souza, 43 anos,

Em um setor que, por décadas, foi quase exclusivo dos homens, a história de Ana Paula Pestana de Souza, 43, ajuda a dar sentido ao Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março. Em Jundiaí, ela construiu carreira na Motiva Autoban, saiu da balança, conquistou habilitação para dirigir veículos maiores e chegou à supervisão do time operacional e comanda 17 homens.

A trajetória, marcada por metas e treinamento, também revela como a presença feminina avança em áreas operacionais das grandes concessionárias.

Ana Paula entrou na empresa aos 31 anos e, ainda no processo seletivo, ouviu a pergunta sobre por que deveria ser contratada.

De acordo com o relato dela, a resposta foi que não tinha medo de desafios e que faria o necessário para entregar o trabalho. A firmeza pesou na decisão e abriu a porta de entrada.

Ao acompanhar o dia a dia do tráfego, passou a mirar outro posto: queria dirigir guincho, atender ocorrências e retirar objetos da pista. Incentivada por colegas e pelo coordenador, decidiu buscar a habilitação D. Vieram testes, rotina de aprendizado e a prova de baliza, uma das etapas que exigem precisão e controle do veículo.

Da balança ao guincho: o caminho até a supervisão

A mudança de função foi o começo de uma sequência de conquistas. “Quando entrei fiquei eufórica, super feliz! Depois de dois meses comecei no guincho leve, passei pela inspeção e conquistei a habilitação D. Após alguns anos auxiliando o supervisor, em 2020 me tornei líder. Em março de 2025 cheguei à supervisão. Como costumo dizer: missão dada é missão cumprida”, relembra Ana Paula.

Nem tudo, porém, aconteceu sem resistência. A supervisora diz que precisou provar, na prática, que a capacidade profissional não tem relação com gênero, e que enfrentou situações de constrangimento em atendimentos e no convívio com a própria categoria.

“Enfrentei resistências não só de clientes, mas também de colegas de profissão. Precisei mostrar muito trabalho! Certa vez, um cliente recusou meu atendimento apenas por eu ser mulher.”

Com o tempo, vieram também reconhecimentos que, na visão dela, ajudaram a reforçar a importância de mais mulheres ocuparem funções operacionais.

“Muitas mulheres que atendia me parabenizavam e até me abraçavam. Hoje, entre meus colegas, ouço que sou melhor que muitos homens no que faço. Isso me dá ainda mais vontade de provar que mulher pode exercer o cargo que quiser!”, afirma.

Além do desafio técnico, o cotidiano do tráfego exige tomada de decisão rápida, comunicação clara e liderança sob pressão, características cobradas de qualquer supervisor em operações que lidam com segurança viária, atendimento a ocorrências e apoio aos usuários da rodovia.

Na rotina, o posto também implica coordenar equipes, direcionar recursos e garantir que os procedimentos sejam cumpridos com eficiência.


O que o 8 de Março representa em 2026

O Dia Internacional da Mulher vai além da homenagem. A data se consolidou como símbolo da luta por direitos, equidade e respeito, com raízes em mobilizações trabalhistas e movimentos feministas do fim do século XIX e início do século XX.

Ao olhar para 2026, o debate sobre igualdade ainda segue aberto, especialmente quando se observa a sub-representação feminina em setores operacionais, cargos de liderança e atividades tradicionalmente masculinas.

Segundo dados das Nações Unidas, as mulheres possuem apenas cerca de 64% dos direitos legais garantidos aos homens em diversas áreas da vida, incluindo trabalho, propriedade e segurança. O dado reforça que avanços existem, mas a igualdade plena ainda não foi alcançada.

Nesse cenário, histórias como a de Ana Paula funcionam como referência local: mostram que o acesso ao mercado, a permanência na função e a ascensão profissional dependem de oportunidade, capacitação e ambientes de trabalho que reconheçam desempenho, não estereótipos.

Em Jundiaí, a supervisora resume sua caminhada como resultado de insistência e entrega diária, em um campo onde cada conquista tende a abrir espaço para outras mulheres.

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