
Um em cada cinco cães e gatos no Brasil já vive a fase sênior, segundo dados do Instituto Pet Brasil. O número representa cerca de 20% da população desses animais no país e reflete o aumento da expectativa de vida proporcionado pelos avanços da medicina veterinária, da nutrição e dos cuidados preventivos. O dado acende um alerta durante o Fevereiro Roxo, campanha dedicada à conscientização sobre doenças crônicas, que também impactam de forma significativa a saúde dos pets idosos.
Com uma população estimada em cerca de 160 milhões de animais de estimação, entre cães, gatos, aves, peixes e pequenos mamíferos, o Brasil figura entre os países com maior número de pets no mundo.
O envelhecimento dessa população traz novos desafios aos tutores e aos profissionais da área veterinária, principalmente no que diz respeito ao diagnóstico precoce e ao acompanhamento contínuo de doenças crônicas e degenerativas.
Segundo Francis Flosi, médico-veterinário e diretor-geral da Faculdade de Medicina Veterinária Qualittas, muitos problemas de saúde em animais idosos ainda são identificados tardiamente.
“Na maioria das vezes, o responsável só percebe que algo não está bem quando a doença já está em estágio avançado. Alterações de comportamento, dificuldade de locomoção e mudanças no apetite são sinais que não podem ser ignorados”, afirma.
Doenças silenciosas exigem atenção redobrada
Entre as enfermidades mais comuns em cães e gatos idosos está a Síndrome da Disfunção Cognitiva, condição comparada ao Alzheimer em humanos.
O quadro pode provocar desorientação, alterações no ciclo do sono, perda de memória e mudanças comportamentais que impactam diretamente a rotina do animal e da família.
Problemas articulares, como a artrose, também são recorrentes nessa fase da vida e comprometem a mobilidade e o bem-estar.
Em felinos, a insuficiência renal crônica é uma das doenças mais frequentes e costuma evoluir de forma silenciosa, o que dificulta a identificação precoce sem exames regulares.
As doenças cardíacas tornam-se mais comuns com o avanço da idade, manifestando sintomas como cansaço excessivo, tosse persistente e dificuldade respiratória.
Flosi destaca que o acompanhamento veterinário periódico é decisivo para garantir qualidade de vida aos pets idosos.
“Consultas regulares permitem detectar alterações ainda no início, ajustar a alimentação e iniciar tratamentos adequados. Isso contribui para prolongar o bem-estar e reduzir o sofrimento do animal”, explica.
Sinais de alerta em cães e gatos idosos
Durante o Fevereiro Roxo, especialistas orientam os tutores a observarem atentamente mudanças no comportamento dos animais, que podem indicar doenças crônicas ou cognitivas.
Entre os principais sinais de alerta estão urinar ou defecar em locais inadequados, desorientação, como ficar preso em cantos da casa ou ter dificuldade para encontrar a comida e alterações no padrão de sono.
Também merecem atenção a redução do interesse por brincadeiras e atividades físicas, a busca excessiva por atenção, a irritabilidade, o andar em círculos e vocalizações intensas em horários incomuns.
A ansiedade, especialmente a ansiedade de separação e a perda ou diminuição do apetite completam a lista de sintomas que exigem avaliação profissional.
“A identificação precoce desses sinais possibilita intervenções que reduzem o avanço das doenças e melhoram significativamente a qualidade de vida do pet”, reforça o veterinário.
Cuidados para um envelhecimento saudável
Para garantir um envelhecimento mais saudável, profissionais recomendam check-ups veterinários a cada seis meses, alimentação balanceada e adequada à idade, além de exercícios leves que respeitem as limitações físicas do animal.
A adaptação do ambiente doméstico também é fundamental, com camas confortáveis, rampas de acesso e tapetes antiderrapantes.
Os estímulos mentais, por meio de brinquedos interativos e atividades que desafiem a cognição, ajudam a preservar as funções cerebrais e a manter o animal ativo.
Além da prevenção, a campanha Fevereiro Roxo também chama atenção para a adoção responsável de pets idosos, que costumam permanecer mais tempo à espera de um lar, apesar de oferecerem afeto e companheirismo.
“Envelhecer é um processo natural. Com cuidados adequados e acompanhamento veterinário, é possível garantir que essa fase seja vivida com dignidade, conforto e qualidade”, conclui Francis Flosi.