Adegas de bairro oferecem bebidas, gelo e outros produtos e apostam na conveniência para atender consumidores
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial
Adegas de bairro oferecem bebidas, gelo e outros produtos e apostam na conveniência para atender consumidores

O mercado de adegas de bairro ganhou espaço entre os pequenos negócios de Vinhedo e Valinhos nos últimos cinco anos. Entre 2021 e 2026, o número de microempreendedores individuais (MEIs) registrados no comércio varejista de bebidas aumentou 20,3% em Vinhedo e 17,1% em Valinhos, segundo levantamento do Sebrae-SP. Em Louveira, por outro lado, houve queda de 5% no período.

Os dados mostram a evolução dos registros de empresas enquadradas na atividade de comércio varejista de bebidas. Na região de Campinas e Piracicaba, o total passou de 5.489, em 2021, para 6.579, em 2026, uma alta de aproximadamente 20%.

Em Vinhedo, os registros subiram de 74 para 89. Valinhos passou de 82 para 96 microempreendedores individuais. Já Louveira teve uma redução de 40 para 38 registros.

O levantamento considera o CNAE 4723-7/00, classificação que abrange o comércio varejista de bebidas em lojas físicas ou pela internet, sem espaço para consumo no próprio estabelecimento.

Por isso, os números não representam necessariamente a quantidade total de adegas em funcionamento nas cidades.

Delivery e variedade ampliam possibilidades

O crescimento do segmento acompanha mudanças nos hábitos de consumo e nas formas de atendimento. Durante a pandemia de Covid-19, o delivery ganhou força e passou a integrar a operação de diversos negócios.

Desde então, a combinação entre loja física, atendimento digital e entrega se tornou uma alternativa para alcançar consumidores nos bairros.

Além da venda de cervejas, vinhos, destilados e bebidas não alcoólicas, as adegas podem oferecer produtos complementares, como gelo, carvão, alimentos e petiscos. A variedade permite atender diferentes ocasiões de consumo, incluindo encontros entre amigos e confraternizações.

A conveniência, porém, não elimina os desafios de administrar um pequeno negócio. Em um mercado com diferentes estabelecimentos disputando os mesmos consumidores, o empreendedor precisa avaliar a demanda, controlar despesas e manter um estoque adequado.

“A expansão do mercado de adegas mostra que existe espaço para o pequeno empreendedor, mas abrir uma empresa é apenas o primeiro passo. É fundamental conhecer o perfil do consumidor, entender quais produtos têm maior procura, trabalhar bem o estoque, calcular corretamente os preços e acompanhar de perto o fluxo de caixa”, afirma Alice Rosado, analista de negócios do Sebrae-SP.

Gestão ajuda a diferenciar os negócios

A localização e as características do público também influenciam a estratégia comercial. Perfil de renda, hábitos de consumo, concorrência, horários de funcionamento e possibilidade de entrega estão entre os fatores que podem afetar o desempenho de uma adega.


Nesse contexto, a presença digital pode ajudar na divulgação de produtos, na apresentação de novidades e no recebimento de pedidos. Redes sociais e aplicativos de mensagens permitem manter contato com os clientes e informar sobre promoções. A estratégia, entretanto, precisa estar alinhada à capacidade de atendimento e à estrutura de cada negócio.

Para Alice Rosado, a diferenciação se torna importante em um mercado mais competitivo. “O empreendedor que consegue combinar boa gestão, atendimento e conveniência tem mais condições de transformar uma oportunidade de mercado em um negócio sustentável”, afirma.

O levantamento do Sebrae-SP mostra que a evolução dos registros não foi uniforme entre os municípios analisados. Vinhedo e Valinhos tiveram aumento no número de MEIs ligados ao comércio varejista de bebidas, enquanto Louveira apresentou redução.

Os dados, contudo, não identificam as razões para essas diferenças nem permitem concluir quantos estabelecimentos permanecem efetivamente em atividade.

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