O Setembro Amarelo amplia, ao longo deste mês, o debate sobre saúde mental e prevenção ao suicídio no Brasil. A campanha busca reduzir o estigma em torno do sofrimento emocional, estimular o diálogo e orientar a procura por ajuda. Dados do Ministério da Saúde mostram a dimensão do problema: 15.507 suicídios foram registrados no País em 2021, o equivalente a uma taxa de 7,3 mortes por 100 mil habitantes.
Segundo o Boletim Epidemiológico sobre Mortalidade por Suicídio e Tentativas de Suicídio no Brasil, elaborado pelo Ministério da Saúde, os homens apresentam taxas de mortalidade por suicídio superiores às registradas entre as mulheres.
Além das mortes, as tentativas de suicídio também representam uma questão de saúde pública e exigem atenção da rede de assistência.
Para especialistas, abordar o tema de maneira responsável contribui para diminuir o silêncio e facilitar a procura por atendimento. A prevenção, porém, não deve ficar restrita aos consultórios ou aos serviços de saúde.
Família, amigos, escolas, universidades e empresas também podem participar da identificação de mudanças de comportamento e oferecer acolhimento.
Para a coordenadora do curso de Psicologia do Centro Universitário UniMetrocamp Wyden, Roseli Filizatti, o Setembro Amarelo precisa ser entendido como um estímulo permanente ao diálogo, e não apenas como uma campanha concentrada no mês de setembro.
“O Setembro Amarelo é importante porque ajuda a quebrar o silêncio em torno do sofrimento psíquico. Muitas vezes, a pessoa não precisa imediatamente de uma solução, mas de alguém que esteja disposto a escutar sem julgamentos. O acolhimento pode ser o primeiro passo para que ela reconheça que não precisa enfrentar aquele momento sozinha”, afirma Roseli.
Atenção aos sinais de alerta
Algumas mudanças significativas de comportamento podem indicar que uma pessoa está atravessando um período de sofrimento e precisa de atenção.
Entre os sinais estão o isolamento social, a perda de interesse por atividades que antes eram prazerosas, alterações importantes no sono ou na alimentação, desesperança e sentimentos persistentes de culpa ou inutilidade.
Falas relacionadas à morte ou à ausência de sentido também merecem atenção. Ainda assim, uma alteração de comportamento, isoladamente, não significa necessariamente que exista risco de suicídio. A avaliação precisa ser cuidadosa e considerar o contexto de cada pessoa.
Diante de sinais preocupantes, a recomendação é buscar auxílio profissional. Para Roseli, também é necessário evitar interpretações precipitadas.
“Precisamos evitar a banalização quanto à interpretação precipitada dos sinais. O mais importante é estar próximo, perguntar como a pessoa está, demonstrar disponibilidade para ouvir e, quando necessário, ajudá-la a chegar a um profissional ou serviço de saúde. Escutar não significa assumir sozinho a responsabilidade pelo sofrimento do outro”, explica a coordenadora.
Prevenção começa antes da crise
A especialista defende que a discussão sobre saúde mental faça parte da rotina durante todo o ano. Dessa forma, o cuidado pode ocorrer antes que o sofrimento chegue a um estágio de crise.
“Cuidar da saúde mental não deve acontecer somente quando a crise chega. Precisamos falar sobre emoções, relações, frustrações, perdas e sobrecarga antes que o sofrimento se intensifique.
Criar espaços seguros de diálogo, especialmente entre crianças, adolescentes e jovens, também é uma forma de prevenção”, destaca Roseli.
No ambiente universitário, essa atenção ganha relevância diante das diferentes situações que podem afetar estudantes.
Mudanças de rotina, pressão acadêmica, dificuldades financeiras, conflitos familiares, relacionamentos e incertezas em relação ao futuro podem se somar e produzir situações de sofrimento emocional.
A prevenção também depende de uma rede de proteção formada por diferentes pessoas e instituições. Família, amigos, professores, colegas de trabalho e profissionais de saúde podem contribuir para que alguém em sofrimento tenha acesso ao atendimento necessário.
“Não é necessário ter todas as respostas. Muitas vezes, o mais importante é reconhecer que aquela pessoa precisa de auxílio e contribuir para que ela tenha acesso a essa ajuda”, afirma a coordenadora.
Onde buscar ajuda
Em situações de sofrimento emocional, a orientação é procurar atendimento profissional. Na rede pública, os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) e as unidades de saúde podem orientar os pacientes de acordo com a necessidade de cada caso.
Em situações de emergência ou risco imediato, a recomendação é procurar um serviço de emergência ou acionar o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU), pelo telefone 192.
O Centro de Valorização da Vida (CVV) também oferece apoio emocional gratuito pelo telefone 188, com atendimento 24 horas por dia.