
O Mercado das Artes, em Vinhedo, recebe neste domingo, 13 de setembro, o primeiro show aberto ao público de Gusta e a Patifaria. A apresentação começa às 16h e integra a programação da feira de artesanato “Olha a Feira”, que será realizada das 14h às 19h. A entrada é gratuita.
Formada por 11 músicos, a banda mistura MPB, ijexá, afoxé, samba-reggae, ritmos latinos, reggae, jazz, neo-soul e grooves contemporâneos. O repertório é predominantemente autoral e tem como base o EP “Direito de Festa”, lançado por Gusta em janeiro.
A formação também reúne diferentes instrumentos e arranjos. Sopros, percussão, bateria, baixo e violão criam uma sonoridade que levou o projeto a ganhar características de uma mini big band.
O grupo surgiu a partir de uma proposta mais simples. Depois do lançamento do EP, Gusta convidou Felipe Schiezaro e Maria Clara Teixeira para preparar uma versão acústica das músicas. O primeiro ensaio, porém, abriu espaço para a entrada de novos integrantes.
Banda cresceu durante os ensaios
Mônica Lovato chegou com o trompete. Maria Clara, que inicialmente estava ligada à percussão, assumiu o trombone e sugeriu a inclusão de outros instrumentos de sopro. Em seguida, Ana Lu Geraldine entrou com a flauta, enquanto Elis Ribeiro passou a integrar a percussão.
Will Lima e Juliana Kogawa reforçaram a cozinha rítmica. Augusto Pac assumiu a bateria, além de criar os arranjos de sopros e reger a banda. Ivan Capelli entrou no sax tenor e Alexandre Braga completou a formação no baixo.
O resultado foi uma banda com 11 músicos, acompanhada pelo técnico de som Raul Leite.
“Foi uma coisa que foi crescendo sem a gente conseguir, ou querer, controlar. Cada pessoa que chegava trazia uma possibilidade nova. Quando vimos, a banda já tinha virado uma pequena multidão”, conta Gusta.
O nome Patifaria acompanha justamente essa origem. A formação nasceu de um projeto acústico e foi incorporando novos músicos até encontrar uma identidade própria.
Carnaval aparece como elemento central
A mistura musical do grupo também se relaciona com a presença do carnaval no trabalho de Gusta. O conceito não aparece apenas como referência a uma época do ano, mas como uma ideia de liberdade, encontro e ocupação do espaço público.
“Carnaval, para mim, é uma tecnologia de encontro. É quando as pessoas lembram que o corpo também pode ser uma forma de pensamento”, afirma o compositor.
A canção “De Axé” utiliza o bloco carnavalesco como representação de um espaço de liberdade. A música aborda a possibilidade de cada pessoa ocupar o próprio corpo sem interferências externas.
“Quando eu canto que cada um pode vestir o que quiser, estou falando de liberdade, mas também de respeito. O corpo não deveria ser um território que os outros se sentem autorizados a controlar”, explica Gusta.
“De Axé” e “Vão Dizer” também foram contempladas em edital público do bloco carnavalesco Bloquete, de Vinhedo. As duas músicas passaram a integrar o repertório oficial da agremiação.
Crítica social divide espaço com a dança
A celebração, no entanto, não aparece separada das questões sociais no repertório. Em “No País que Eu Moro”, Gusta aborda temas como desigualdade, medo, política e a sensação de estar preso a uma estrutura social.
A música parte da imagem de uma “selva de concreto” e percorre situações relacionadas ao cotidiano. Entre elas estão a violência, a desigualdade e as dificuldades provocadas pela falta de recursos.
Ao longo da canção, a sensação de aprisionamento dá lugar ao movimento. O tambor assume novamente o protagonismo e a dança aparece como resposta à realidade apresentada na letra.
Essa combinação também está presente no EP “Direito de Festa”. O trabalho aproxima crítica social e celebração. Assim, a festa não aparece apenas como entretenimento, mas como uma possibilidade de resistência e convivência.
“Eu não acho que a festa resolva tudo. Mas acho que ela pode nos lembrar que ainda estamos vivos, e que, juntos, somos mais difíceis de controlar”, diz Gusta.
Espiritualidade também está no repertório
A espiritualidade é outro elemento presente nas composições. Em “Vão Dizer”, referências a anjos, dharmas e orixás aparecem na construção da letra e acompanham a ideia de resistência.
Já “Mergulho”, composta por Gusta e Livia Golden, utiliza o mar como espaço de transformação e proteção. A música traz a Rainha do Mar e as águas como elementos capazes de levar embora aquilo que pesa.
Em “Desconecto & Reconecto”, o foco muda para a relação com a tecnologia. A composição aborda uma rotina marcada por telas, timelines, excesso de informação e dificuldades de se desconectar do fluxo digital.
Apesar das diferenças entre as canções, o repertório mantém uma relação entre corpo, liberdade e experiência coletiva. A música, nesse contexto, é construída tanto para ser ouvida quanto para provocar movimento.
Mini big band leva repertório para a pista
As versões e remixes do EP ampliam essa proposta. Cumbia, ijexá, olodum e dub aparecem em diferentes momentos e aproximam as composições do ambiente da pista.
No palco, os sopros reforçam a característica de mini big band. A percussão acrescenta elementos ligados à música de rua, enquanto baixo e bateria sustentam os grooves.
A formação também permite que Gusta conduza as músicas autorais em uma apresentação que combina canção, dança e interação entre os músicos.
O primeiro show aberto da Patifaria ocorre dentro da programação da “Olha a Feira”. A apresentação será realizada às 16h deste domingo, no Mercado das Artes, em Vinhedo.
Serviço
Gusta e a Patifaria
Quando: domingo, 13 de setembro
Horário: feira das 14h às 19h; show às 16h
Onde: Mercado das Artes
Endereço: Estrada da Boiada, 1.877, Pinheirinho, Vinhedo
Entrada: gratuita e aberta ao público