
Mais de 370 mil crianças estudam em áreas sujeitas a riscos de desastres climáticos, como alagamentos e deslizamentos de terra. O dado ajuda a dimensionar um desafio que ultrapassa a questão ambiental e chega à rotina das escolas brasileiras: preparar os espaços de aprendizagem para uma r ealidade marcada por temperaturas elevadas, chuvas intensas e outros eventos extremos.
A discussão ganhou uma nova frente com a oferta do curso gratuito “Soluções para Escolas Mais Verdes e Resilientes”, voltado a educadores interessados em desenvolver estratégias de adaptação e fortalecer a relação entre escola, comunidade e natureza.
A formação tem 40 horas, é totalmente on-line e assíncrona e integra o programa Escolas Baseadas na Natureza, do Instituto Motiva e da Motiva Autoban.
Professores do Ensino Fundamental I das redes municipais são o público prioritário. Também podem participar educadores de outras etapas de ensino, gestores escolares, coordenadores pedagógicos, diretores, educadores populares e estudantes de licenciatura.
As inscrições estão disponíveis no site do programa. Para participar, é necessário fazer um cadastro e informar dados como o município e a escola em que o educador atua.
Falta de áreas verdes amplia preocupação
A vulnerabilidade das escolas diante das mudanças climáticas aparece também na estrutura física dos espaços educacionais. Uma pesquisa realizada pelo MapBiomas, Instituto Alana e Fiquem Sabendo apontou que quatro em cada dez escolas do país não possuem áreas verdes dentro de suas instalações.
O levantamento identificou ainda que cerca de 1,5 milhão de estudantes frequentam instituições que não têm parques ou praças em um raio de 500 metros.
Outro resultado indica que seis em cada dez escolas estão localizadas em áreas com temperaturas superiores à média registrada nas respectivas capitais.
Essas condições podem agravar os efeitos de períodos de calor intenso e reduzir o conforto nos ambientes escolares.
Ao mesmo tempo, a ausência de áreas verdes limita possibilidades de contato com a natureza e de utilização desses espaços em atividades pedagógicas.
Diante desse cenário, a formação propõe discutir maneiras de adaptar os ambientes escolares e aproximar as soluções ambientais da realidade de cada território.
Escola pode ajudar na adaptação climática
A proposta do curso parte da possibilidade de transformar as escolas em espaços capazes de contribuir para a adaptação das comunidades às mudanças climáticas.
Nesse modelo, áreas verdes, gestão da água e conforto térmico deixam de ser apenas questões relacionadas à infraestrutura.
Esses elementos também podem ser incorporados ao processo educativo e utilizados para aproximar os estudantes dos problemas ambientais presentes no próprio território.
O conteúdo apresenta as chamadas Soluções baseadas na Natureza como uma das possibilidades para a regeneração dos espaços escolares.
A abordagem inclui a discussão sobre mudanças climáticas, desenvolvimento integral dos estudantes, currículo conectado à realidade socioambiental e participação da comunidade.
Os educadores também são estimulados a desenvolver projetos práticos. A intenção é que as propostas considerem as características de cada escola e possam envolver os estudantes na identificação de problemas e na busca por soluções.
Formação combina conteúdo com atividades práticas
A formação reúne videoaulas, fóruns de discussão, atividades práticas e materiais de apoio. O curso também oferece acompanhamento formativo e certificado de conclusão.
Entre os assuntos abordados estão os impactos das mudanças climáticas na educação, Educação baseada na Natureza, recuperação de espaços escolares, protagonismo estudantil e participação comunitária.
A proposta é fortalecer o chamado letramento ambiental e ampliar a capacidade das escolas de discutir os efeitos das mudanças climáticas a partir de situações concretas.
Assim, questões como calor extremo, falta de vegetação, uso da água e riscos de alagamentos podem ser incorporadas às atividades pedagógicas.
Para Renata Ruggiero, presidente do Instituto Motiva, a preparação das escolas precisa acompanhar as transformações provocadas pelo clima. “O clima já mudou e continuará mudando.
Diante desse cenário, é fundamental que as escolas estejam preparadas para compreender os desafios climáticos e atuar na construção de soluções.”
A formação foi desenvolvida pelo Instituto Motiva em parceria com Alana e Crescer.
Curso é gratuito e pode ser feito pela internet
A formação tem duração de 40 horas e não exige participação em horários específicos. O formato assíncrono permite que cada educador organize o próprio período de estudos.
Curso: Soluções para Escolas Mais Verdes e Resilientes
Formato: 100% on-line e assíncrono
Carga horária: 40 horas
Público: professores, gestores, coordenadores, diretores, educadores populares e estudantes de licenciatura
Conteúdo: videoaulas, fóruns, materiais de apoio, atividades práticas e certificado
Inscrições: abertas no site do programa Escolas Baseadas na Natureza
Site: www.escolasebn.com.br