
A queda das temperaturas durante o inverno exige atenção especial à saúde da população idosa. O envelhecimento natural do organismo torna pessoas com 60 anos ou mais mais vulneráveis aos efeitos do frio, que podem contribuir para o agravamento de doenças crônicas, o surgimento de problemas respiratórios, dores musculares e articulares e acidentes domésticos.
Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicam que o Brasil tem mais de 33 milhões de pessoas nessa faixa etária.
Como esse contingente cresce a cada ano, a adoção de medidas preventivas durante os meses mais frios ganha importância para preservar a autonomia e a qualidade de vida.
Entre os principais cuidados estão manter a hidratação, mesmo com a redução da sensação de sede, ter uma alimentação equilibrada, manter a vacinação atualizada e praticar atividades físicas regularmente.
Além disso, roupas adequadas ajudam a conservar o calor corporal, enquanto ambientes ventilados e a redução de mudanças bruscas de temperatura podem contribuir para evitar problemas de saúde.
Frio pode afetar mobilidade dos idosos
O inverno também pode interferir diretamente na mobilidade. Segundo Alice Lisboa, coordenadora do curso de Fisioterapia do Centro Universitário Unimetrocamp Wyden, as temperaturas mais baixas favorecem o aumento da rigidez muscular e das dores articulares.
“O inverno favorece o aumento da rigidez muscular e das dores articulares, especialmente em pessoas que já convivem com doenças como artrose e artrite. Além disso, a tendência de permanecer mais tempo parado dentro de casa reduz a movimentação corporal, o que pode comprometer o equilíbrio, a força muscular e a capacidade funcional”, afirma.
Por isso, manter alguma atividade física durante o período é importante. Caminhadas em horários mais quentes, exercícios de alongamento e atividades orientadas podem ajudar a preservar a mobilidade, estimular a circulação sanguínea e reduzir o risco de quedas.
“Atividades orientadas, caminhadas em horários mais quentes e exercícios de alongamento ajudam a preservar a mobilidade, melhorar a circulação sanguínea e reduzir o risco de quedas. O importante é evitar o sedentarismo, que pode agravar diversas condições de saúde”, destaca a especialista.
Casa segura ajuda a prevenir quedas
A segurança dentro de casa merece atenção durante o inverno. Tapetes soltos, pisos molhados, obstáculos nos corredores e iluminação insuficiente podem favorecer acidentes.
As quedas estão entre as principais causas de hospitalização entre idosos. Por isso, pequenas adaptações podem reduzir os riscos e facilitar a circulação pelos ambientes.
“É importante que a residência esteja adaptada para oferecer segurança. Barras de apoio em banheiros, boa iluminação, uso de calçados antiderrapantes e a retirada de obstáculos dos corredores são medidas simples que fazem grande diferença na prevenção de acidentes”, orienta Alice Lisboa.
Outro cuidado envolve a exposição às doenças respiratórias. Gripes, resfriados, pneumonias e outras infecções virais tendem a exigir maior atenção entre os idosos, principalmente aqueles que convivem com doenças cardiovasculares, diabetes ou problemas pulmonares.
Nesse cenário, manter a vacinação em dia é uma das principais medidas preventivas. A recomendação inclui as vacinas contra influenza, Covid-19 e outras previstas no calendário de imunização para a terceira idade.
Além da imunização, hábitos de higiene, como lavar as mãos regularmente, ajudam a reduzir o risco de contaminação. Também é recomendado evitar contato próximo com pessoas que apresentem sintomas de doenças respiratórias.
Para Alice Lisboa, a prevenção durante o inverno precisa considerar diferentes aspectos da rotina.
“Não estamos falando apenas de proteção contra o frio. É preciso olhar para a alimentação, a hidratação, a atividade física, a saúde emocional e a segurança dentro de casa. Pequenas atitudes diárias contribuem para um envelhecimento mais saudável e para a prevenção de complicações que poderiam ser evitadas”, conclui.