
A odontologia digital avança nas redes públicas de saúde da Região Metropolitana de Campinas (RMC) como alternativa para ampliar o acesso às próteses dentárias e reduzir o tempo de espera dos pacientes no Sistema Único de Saúde (SUS). Municípios como Cordeirópolis, Indaiatuba e Araras já utilizam tecnologias de escaneamento tridimensional e produção computadorizada para substituir parte do processo convencional de fabricação das próteses.
A adoção do fluxo digital permite diminuir o número de consultas, reduzir retrabalhos e acelerar a entrega dos dispositivos, oferecendo uma alternativa para municípios que enfrentam alta demanda por reabilitação oral.
A expectativa do setor é que outras cidades da região passem a incorporar a tecnologia nos próximos anos.
O avanço ocorre em um cenário de crescimento da procura por próteses dentárias, impulsionado principalmente pelo envelhecimento da população e pela necessidade de ampliar o acesso aos serviços de saúde bucal.
Tecnologia substitui moldes tradicionais
Na odontologia digital, o molde convencional feito com massa dá lugar ao escaneamento tridimensional da boca do paciente.
As imagens captadas são transformadas em um modelo virtual, utilizado para projetar a prótese em softwares específicos. Depois, a fabricação é realizada por equipamentos de alta precisão.
Segundo Anderson Macorin, CEO da iDenture, o processo digital moderniza todas as etapas da produção.
"O escaneamento tridimensional permite que as informações sejam processadas digitalmente, reduzindo etapas manuais e aumentando a precisão da prótese. Isso torna a reabilitação oral mais eficiente tanto para os profissionais quanto para os pacientes."
Além da maior precisão, a tecnologia proporciona mais padronização, previsibilidade e conforto durante o tratamento.
Para o cirurgião-dentista Fernando Versignassi, responsável técnico da empresa, os benefícios vão além da inovação tecnológica.
"A perda dentária interfere diretamente na alimentação, na fala, na autoestima e na convivência social. A prótese devolve funcionalidade, qualidade de vida e dignidade, sendo parte essencial da atenção integral à saúde."

Cordeirópolis, Indaiatuba e Araras já utilizam o sistema
A região de Campinas concentra algumas das principais iniciativas de odontologia digital no interior paulista.
Em Cordeirópolis, uma unidade móvel equipada com tecnologia digital realiza o escaneamento da boca dos pacientes diretamente na van, facilitando o atendimento e reduzindo a necessidade de deslocamentos.
Segundo a empresa responsável pela tecnologia, o tratamento pode ser concluído em aproximadamente três consultas, com entrega das próteses entre três e cinco dias, dependendo das condições clínicas de cada paciente.
Indaiatuba também incorporou o fluxo digital à rede pública para a produção de próteses dentárias. Em Araras, o modelo tecnológico foi adotado para ampliar a oferta do serviço à população.
Além dessas cidades, municípios como Santo André, Diadema, Canitar e Rio de Janeiro também utilizam a odontologia digital para fortalecer os programas públicos de reabilitação oral.
Demanda cresce com o envelhecimento da população
A necessidade de ampliar a oferta de próteses acompanha o perfil demográfico brasileiro. De acordo com a Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) de 2019, cerca de 14 milhões de adultos perderam todos os dentes, o equivalente a 8,9% da população.
Entre pessoas com 60 anos ou mais, o índice chega a 31,7%. A pesquisa também aponta que aproximadamente um terço dos adultos utiliza algum tipo de prótese dentária, percentual que supera 70% entre os idosos.
Esse cenário aumenta a demanda por políticas públicas voltadas à reabilitação oral, já que a perda dentária compromete funções importantes, como mastigação e fala, além de afetar a autoestima e a qualidade de vida.
Saúde pública aposta na inovação
Com a digitalização dos processos, os municípios conseguem otimizar a produção das próteses, reduzir etapas laboratoriais e ampliar a capacidade de atendimento sem comprometer a qualidade dos dispositivos.
O movimento acompanha o fortalecimento das políticas públicas de saúde bucal no país. A Lei nº 14.572/2023 reforçou o acesso universal e contínuo aos serviços odontológicos no SUS, incentivando iniciativas que contribuam para tornar os tratamentos mais eficientes e acessíveis.
A expectativa é que a expansão da odontologia digital permita atender um número maior de pacientes, reduzindo filas e oferecendo mais agilidade aos serviços públicos de reabilitação oral.