
A chegada do inverno costuma movimentar a procura por procedimentos de rejuvenescimento facial. Com temperaturas mais amenas, menor exposição ao sol e, para parte da população, uma rotina menos intensa durante as férias, julho se torna um período escolhido por pacientes que desejam realizar cirurgias e ter tempo para cumprir as etapas iniciais da recuperação antes de retomar compromissos profissionais e sociais.
Entre os procedimentos procurados estão o lifting facial e as cirurgias voltadas ao rejuvenescimento do pescoço. De acordo com o cirurgião plástico Dr. Gabriel Andrey Ricci, as condições do inverno podem facilitar alguns cuidados do pós-operatório.
A menor exposição solar, por exemplo, contribui para a rotina recomendada durante a recuperação. O uso de roupas que cobrem parte do pescoço também pode ajudar pacientes que preferem manter o período pós-cirúrgico com mais discrição.
"Durante os meses mais frios, a exposição ao sol costuma ser menor, o que facilita os cuidados necessários durante a recuperação. Além disso, o uso de roupas com gola alta, cachecóis e lenços ajuda muitos pacientes a passarem pelo período pós-cirúrgico com mais discrição", explica.
Apesar disso, a experiência pode variar de acordo com cada pessoa. A cabeleireira Rosemeire dos Santos, que passou por um procedimento de rejuvenescimento facial, afirma que não percebeu uma diferença significativa relacionada à estação do ano durante sua recuperação.
Segundo ela, o período foi tranquilo e os cuidados adotados foram mantidos independentemente das temperaturas.
"A recuperação foi bem tranquila, não tive dor. Aliás, tudo foi tranquilo, desde a cirurgia até o pós. Eu não senti diferença no inverno, porque os meus cuidados foram os mesmos", relata.
Técnicas buscam resultados mais naturais
Na avaliação do especialista, as cirurgias faciais passaram por mudanças importantes nos últimos anos. Segundo Ricci, procedimentos mais antigos eram associados, em alguns casos, a resultados artificiais porque tinham como foco principal a tração da pele.
Atualmente, técnicas que atuam em estruturas mais profundas buscam preservar a anatomia e as características individuais do paciente.
"Antigamente, os resultados eram muito estigmatizados porque o rejuvenescimento era obtido basicamente por meio da tração da pele, o que deixava a face com aspecto artificial e frequentemente denunciava que a pessoa havia sido submetida a uma cirurgia. Nos últimos cinco anos, houve uma mudança importante na forma de realizar o lifting facial", afirma.
Ainda segundo o cirurgião, as técnicas atuais procuram reposicionar os tecidos em planos profundos, com o objetivo de alcançar um resultado mais natural e duradouro.
O tempo de recuperação, contudo, depende da avaliação individual e da evolução de cada paciente.
Em média, conforme o especialista, cerca de 15 dias após a cirurgia alguns pacientes já podem estar aptos a retomar atividades habituais.
As incisões também são planejadas para ficar em áreas estratégicas, como regiões próximas às orelhas e à linha do cabelo.
Para Rosemeire, o resultado alcançado correspondeu às expectativas. Ela conta que decidiu realizar o procedimento após perceber mudanças na própria aparência que passaram a incomodá-la.
"Estava me sentindo envelhecida", afirma.
Depois da cirurgia, a percepção foi diferente. "Senti muita diferença. O que me incomodava já não existe mais", conta.
A cabeleireira também destaca a importância da pesquisa e da relação de confiança estabelecida com o médico antes da decisão.
Segundo ela, o acompanhamento e os esclarecimentos recebidos durante o processo foram determinantes para que se sentisse segura.
"Eu pesquisei muito sobre a cirurgia e meu médico foi crucial na minha decisão. Ele me esclareceu tudo e me deixou bem ciente. Eu fiquei totalmente entregue, fiquei muito segura e confiante", relata.
Tratamento do pescoço exige avaliação individual
A região abaixo do queixo é outro ponto de atenção para quem busca procedimentos de rejuvenescimento. Segundo Ricci, a chamada papada nem sempre está relacionada apenas ao acúmulo de gordura.
Flacidez da pele, envelhecimento dos tecidos e perda de sustentação da musculatura também podem contribuir para a alteração do contorno facial.
Por esse motivo, o especialista alerta que a lipoaspiração isolada pode não ser suficiente em determinados casos. A escolha do procedimento depende das características de cada paciente e da causa predominante da alteração.
"Muitas pessoas acreditam que a papada é apenas um acúmulo de gordura, quando na realidade ela costuma estar associada ao envelhecimento dos tecidos, à flacidez da pele e à perda da sustentação da musculatura do pescoço", explica.
Quando há indicação, o tratamento pode envolver estruturas profundas, reposicionamento da musculatura e retirada criteriosa do excesso de pele.
A proposta é recuperar a definição entre a mandíbula e o pescoço, mantendo proporção com o restante do rosto.
"O pescoço é uma das regiões que mais denunciam o envelhecimento. Muitas vezes, o paciente se incomoda não apenas com a face, mas também com a perda da definição da mandíbula e com a flacidez abaixo do queixo", afirma o cirurgião.
A indicação, porém, deve ser feita após avaliação médica. Qualidade da pele, estrutura facial, idade, hábitos de vida e expectativas são alguns dos fatores considerados antes da definição da estratégia cirúrgica.
Planejamento influencia escolha do período
Além das condições climáticas, o calendário pessoal pode influenciar a escolha de julho para uma cirurgia facial. Como o resultado definitivo costuma aparecer gradualmente ao longo dos meses, quem realiza o procedimento durante o inverno pode contar com um intervalo maior até compromissos importantes no segundo semestre e as celebrações de fim de ano.
O planejamento, no entanto, deve considerar o tempo necessário para a recuperação e as orientações médicas.
A escolha da data não substitui a avaliação individual, que deve levar em conta as condições clínicas e as expectativas de cada paciente.
Para Rosemeire, a decisão também esteve relacionada à forma como se sentia diante da própria imagem.
Ela afirma que, após pesquisar sobre o procedimento e conversar com o médico, decidiu seguir adiante e não se arrepende da escolha.
"Eu amei ter feito a cirurgia, me ajudou muito. O resultado ficou incrível e eu indico o meu médico por tudo. Ele é detalhista, atencioso e acompanha tudo, antes, durante e depois", afirma.
A experiência, segundo ela, também trouxe impacto sobre a autoestima. "Quando a gente não está bem consigo mesma, aquele momento em que olha no espelho e se sente incomodada, é válido procurar o médico e fazer o que nos faz bem, o que deixa nossa autoestima melhor. Eu, por nenhum segundo, me arrependo de fazer o procedimento. Estou realizada."
A recomendação dos especialistas é que qualquer cirurgia plástica seja precedida por avaliação médica detalhada, com análise dos riscos, benefícios, expectativas e condições individuais.
O período do ano pode contribuir para a organização da rotina, mas a decisão sobre o procedimento e o momento adequado deve ser tomada de forma individualizada.