
Quando um bebê apresenta ganho de peso abaixo do esperado, muitas famílias acreditam que a mãe produz pouco leite ou que o alimento não é suficiente para atender às necessidades da criança. No entanto, especialistas alertam que, em diversos casos, o problema está na forma como o bebê consegue mamar. Alterações na sucção, na pega e na coordenação da alimentação podem reduzir a quantidade de leite ingerida, mesmo quando a produção materna é adequada.
De acordo com o Ministério da Saúde, o aleitamento materno exclusivo é recomendado até os seis meses de vida. Quando a mamada ocorre de forma eficiente, o leite materno oferece todos os nutrientes necessários para o desenvolvimento do bebê.
Por isso, diante de dificuldades no ganho de peso, a orientação é investigar a dinâmica da amamentação antes de concluir que existe baixa produção de leite.
Avaliação da mamada ajuda a identificar o problema
Segundo a fonoaudióloga Dra. Eliza Carvalho, a avaliação funcional da mamada permite verificar se o bebê consegue retirar leite de maneira eficiente durante a alimentação.
"Nem sempre o bebê que mama por bastante tempo está conseguindo retirar leite de forma eficiente. Existem situações em que ele faz muito esforço, mas transfere um volume pequeno de leite. Isso pode levar ao ganho de peso insuficiente, mesmo quando a mãe apresenta boa produção", explica.
Durante a avaliação, são observados aspectos como a pega correta, a vedação dos lábios, a força da sucção, os movimentos da língua e da mandíbula, além da coordenação entre sucção, deglutição e respiração.
Conforme a especialista, a amamentação depende do funcionamento integrado de diversas estruturas da boca.
Alterações discretas podem fazer com que o bebê se canse rapidamente, solte o peito com frequência, engula ar em excesso ou não consiga retirar leite suficiente para garantir um crescimento adequado.
Entre as condições que podem interferir nesse processo estão limitações dos movimentos da língua, alterações do tônus muscular, dificuldades motoras orais, prematuridade e outras situações que comprometem a sucção eficiente.
Sinais merecem atenção
Alguns comportamentos durante a amamentação podem indicar que há dificuldades na alimentação.
Entre eles estão mamadas muito longas, estalos durante a sucção, sonolência antes de completar a alimentação e ganho de peso abaixo do esperado nas consultas de acompanhamento.
"Quando o bebê leva muito tempo para mamar, faz estalos durante a sucção, adormece rapidamente no peito sem completar a alimentação, perde peso ou não apresenta o ganho esperado, é importante investigar se existe alguma dificuldade funcional. A avaliação precoce permite identificar essas alterações antes que elas comprometam o desenvolvimento", afirma Dra. Eliza Carvalho.
Além de afetar o crescimento do bebê, a sucção ineficiente também pode provocar dor durante a amamentação, fissuras nos mamilos, ingurgitamento mamário e favorecer o desmame precoce.
"A mãe frequentemente acredita que seu leite é fraco ou insuficiente, quando na realidade o bebê não está conseguindo extraí-lo de forma eficaz. Por isso, antes de pensar em interromper o aleitamento ou introduzir fórmulas, é fundamental avaliar toda a dinâmica da mamada", ressalta.
O tratamento varia conforme a causa identificada. Entre as medidas possíveis estão orientações sobre posicionamento e pega, exercícios para estimular as funções orais e acompanhamento multiprofissional, envolvendo pediatras, consultoras em amamentação, odontopediatras e fonoaudiólogos.
Para a especialista, a observação cuidadosa da alimentação nos primeiros meses de vida é essencial para preservar o aleitamento materno e favorecer o desenvolvimento infantil.
"O ganho de peso é um importante indicador da saúde do bebê, mas ele deve ser analisado junto com a qualidade da mamada. Quanto mais cedo identificamos uma sucção ineficiente, maiores são as chances de corrigir o problema, preservar o aleitamento materno e garantir que a criança cresça e se desenvolva de forma saudável", conclui.