Avião pegou fogo após queda em condomínio residencial
Imagem de aplicativo de mensagem/ Redação iG
Avião pegou fogo após queda em condomínio residencial

Uma minuta do relatório final do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) sobre a queda do avião da Voepass, em Vinhedo, aponta uma combinação de fatores que pode ter contribuído para o acidente que matou 62 pessoas em agosto de 2024. A informação foi divulgada pela jornalista Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo, que revelou apontamentos do documento envolvendo a atuação dos pilotos, a cultura de segurança operacional da companhia aérea e aspectos relacionados à fiscalização da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). A versão definitiva do relatório, porém, ainda depende de uma revisão internacional antes da divulgação oficial.

A minuta indica que a tragédia não teria sido causada por um único fator isolado. Segundo os apontamentos divulgados, os investigadores analisaram uma sequência de circunstâncias envolvendo aspectos humanos, operacionais e organizacionais que, combinados, podem ter influenciado a evolução do acidente.

O documento ainda não representa a conclusão oficial do Cenipa. Antes da publicação, a investigação passa por uma etapa de revisão prevista nos protocolos internacionais da aviação civil, o que permite a participação de autoridades e representantes ligados à fabricação da aeronave e dos equipamentos envolvidos.

Investigação analisa fatores humanos e operacionais

A investigação conduzida pelo Cenipa considera que acidentes aeronáuticos normalmente são resultado de uma cadeia de acontecimentos.

Por esse motivo, os trabalhos não buscam apenas identificar uma falha pontual, mas compreender todo o cenário que antecedeu a ocorrência.

Conforme os apontamentos divulgados pela reportagem da Folha de S.Paulo, a minuta cita momentos de distração dos pilotos durante o voo e avalia decisões tomadas pela tripulação diante das condições enfrentadas pela aeronave.

O documento também aborda aspectos relacionados à cultura de segurança operacional da Voepass. Segundo a apuração, os investigadores identificaram fragilidades em processos internos da empresa e na forma como determinados riscos e alertas operacionais eram tratados.

Outro ponto citado envolve a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). A minuta aponta possíveis falhas relacionadas à fiscalização do setor como um dos fatores analisados na investigação, juntamente com os aspectos operacionais da companhia e da condução do voo.

Apesar dos apontamentos, o trabalho realizado pelo Cenipa tem caráter preventivo. O órgão não atribui culpa civil ou criminal aos envolvidos, mas busca identificar fatores contribuintes para formular recomendações capazes de evitar novos acidentes.

Relatório ainda precisa passar por revisão internacional

Embora a minuta esteja elaborada, o relatório final ainda não foi divulgado oficialmente. Antes da publicação, o documento passa por uma revisão técnica prevista nas normas da Organização da Aviação Civil Internacional (OACI).

Essa etapa ocorre porque o acidente envolve uma aeronave fabricada na França e equipada com motores produzidos no Canadá.

Por isso, representantes dos países envolvidos participam da análise e podem apresentar observações técnicas antes da emissão da versão definitiva.

Durante esse processo, os participantes podem sugerir ajustes, apresentar questionamentos ou solicitar esclarecimentos sobre pontos específicos da investigação. Somente após essa fase o documento será considerado concluído pelo Cenipa.

Até a divulgação oficial, os apontamentos apresentados na minuta representam uma etapa da análise técnica conduzida pelos investigadores. As conclusões definitivas somente serão conhecidas após a publicação do relatório final.


Acidente marcou a história de Vinhedo

O acidente ocorreu na tarde de 9 de agosto de 2024, quando o voo 2283 da Voepass seguia de Cascavel (PR) para o Aeroporto Internacional de Guarulhos (SP). A aeronave ATR 72-500 caiu no bairro Capela, em Vinhedo, atingindo uma área residencial e provocando a morte de todos os 62 ocupantes.

A tragédia mobilizou equipes de emergência, incluindo Corpo de Bombeiros, Defesa Civil, forças policiais e especialistas em investigação aeronáutica. O local permaneceu isolado durante o trabalho de perícia, retirada dos destroços e coleta de informações que ajudaram a compor a investigação técnica.

O caso ganhou repercussão nacional e internacional devido à dimensão da ocorrência e ao envolvimento de diferentes autoridades e fabricantes no processo de apuração.

Desde então, o Cenipa conduz a investigação técnica para identificar os fatores que contribuíram para o acidente. Paralelamente, outros órgãos acompanham desdobramentos administrativos e judiciais relacionados ao caso.

A expectativa agora é pela divulgação do relatório definitivo, que deverá consolidar os fatores contribuintes identificados pelos investigadores e apresentar recomendações voltadas ao aprimoramento da segurança operacional da aviação brasileira.

A publicação do documento final deverá encerrar uma das etapas mais aguardadas após a tragédia em Vinhedo e servir como referência para possíveis mudanças em procedimentos adotados por empresas aéreas e órgãos reguladores.

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