
Embora a colheita da uva seja tradicionalmente associada ao verão, produtores de Jundiaí têm encontrado na safra de inverno uma alternativa para ampliar a produção e fortalecer a atividade ao longo do ano. Realizada entre maio e junho, a segunda colheita vem se consolidando na viticultura regional e, em 2026, apresenta resultados considerados positivos tanto em produtividade quanto na qualidade dos frutos.
A técnica consiste em realizar uma poda específica entre o fim de janeiro e fevereiro, estimulando as videiras a produzirem uma nova safra durante os meses mais frios.
Além de diversificar a renda dos agricultores, o sistema amplia as oportunidades de comercialização em uma região onde a uva ocupa posição de destaque na economia rural e na tradição vitivinícola.
Segundo o diretor de Agronegócio da Secretaria Municipal de Agronegócio, Abastecimento e Turismo (SMAAT), Sérgio Pompermayer, a prática já faz parte da rotina dos viticultores da cidade há vários anos.
"Antigamente, a colheita concentrada nas festas de fim de ano precisava sustentar toda a atividade durante os meses seguintes. Com as mudanças econômicas, surgiram novas demandas por fontes de renda, e essa segunda safra passou a cumprir esse papel", explica.
Clima favorece qualidade da produção
Além da importância econômica, as condições climáticas do inverno contribuem diretamente para o desenvolvimento das uvas.
A redução das chuvas favorece a concentração de açúcares nos frutos, enquanto a diferença de temperatura entre dias mais quentes e noites frias intensifica a coloração e melhora o sabor.
"A uva colhida nesta safra é muito boa", destaca Sérgio Pompermayer.
Os resultados observados nas propriedades rurais confirmam esse cenário. O produtor Anderson Tomasetto afirma que a segunda safra passou a ser essencial para a viabilidade da atividade agrícola.
"Uma única safra por ano tornou-se insuficiente para manter a atividade agrícola. Essa colheita vem justamente para gerar receita durante o restante do ano", afirma.
Produção supera expectativas
O desempenho das videiras nesta temporada tem surpreendido os produtores. Na safra tradicional de verão, cada planta produz, em média, entre 10 e 12 quilos de uvas.
Neste ciclo de inverno, algumas áreas devem alcançar volumes semelhantes, com o diferencial da qualidade superior dos frutos.
"O clima colaborou bastante e a expectativa é muito boa", comenta Anderson.
Outro fator que diferencia Jundiaí é o microclima favorável à realização de duas colheitas anuais, condição pouco comum entre as principais regiões produtoras do país.
Aliado ao conhecimento acumulado por gerações de viticultores, esse cenário fortalece a vocação agrícola do município, consolida-se como uma importante estratégia para manter a rentabilidade das propriedades rurais, movimentar a economia local e oferecer ao consumidor uvas de excelente qualidade também fora do período tradicional de colheita.