A chegada do inverno exige cuidados especiais não apenas com as pessoas, mas também com os animais de estimação . Com mais de 160 milhões de pets nos lares brasileiros, segundo o Instituto Pet Brasil (IPB), especialistas alertam para a importância de manter a vacinação em dia, reforçar a hidratação e garantir conforto térmico aos animais durante os períodos de temperaturas mais baixas.
De acordo com o coordenador do curso de Medicina Veterinária do Centro Universitário Unimetrocamp Wyden, Thiago Fernandes, o frio provoca alterações fisiológicas que podem afetar diretamente a saúde e o bem-estar dos pets, especialmente filhotes, idosos e animais com doenças crônicas.
“Assim como acontece com os seres humanos, as temperaturas mais baixas provocam alterações fisiológicas nos animais. Filhotes, idosos e pets com doenças crônicas são os mais vulneráveis e precisam de atenção redobrada, bem como alterações no consumo de água e alimento”, explica.
Entre os principais sinais de que o animal está sentindo frio estão tremores, postura encolhida, busca por locais fechados e redução da disposição para atividades físicas.
Nos gatos, é comum a procura por esconderijos e superfícies aquecidas para conservar a temperatura corporal.
A recomendação é manter os animais protegidos de correntes de vento e oferecer camas, mantas e espaços confortáveis.
Roupas também podem ser utilizadas, principalmente em cães idosos, de pequeno porte ou com pelagem curta, desde que não prejudiquem os movimentos.
Hidratação e vacinação continuam essenciais
Apesar da redução natural da sensação de sede durante o inverno, a hidratação continua sendo fundamental para a saúde dos animais.
Segundo Thiago Fernandes, muitos tutores cometem o erro de oferecer menos água nessa época do ano.
“Oferecer água fresca várias vezes ao dia, estimular o consumo com fontes e incluir alimentos úmidos na rotina pode ajudar a manter uma hidratação adequada”, orienta.
A atenção também deve se voltar para a prevenção de doenças respiratórias, que tendem a aumentar durante os meses mais frios.
Tosse, espirros, secreção nasal, apatia e perda de apetite são sinais que exigem avaliação veterinária.
“A vacinação continua sendo uma das principais ferramentas de prevenção. Muitas doenças respiratórias podem ser evitadas ou ter seus sintomas significativamente reduzidos quando o protocolo vacinal está em dia”, destaca o especialista.
Frio pode agravar doenças articulares
O inverno também costuma intensificar quadros de artrite, artrose e outras doenças osteoarticulares, especialmente em animais idosos ou com sobrepeso.
Nesses casos, os tutores devem observar possíveis dificuldades de locomoção e mudanças no comportamento.
Para reduzir o desconforto, a orientação é manter atividades físicas moderadas e adaptar os ambientes com tapetes antiderrapantes, rampas e acessos que facilitem a movimentação dos animais.
Os cuidados não se limitam a cães e gatos. Roedores, aves, répteis e peixes também sofrem os impactos das baixas temperaturas e precisam de condições adequadas para manter a saúde durante a estação.
“Cada espécie possui necessidades específicas. Por isso, qualquer alteração de comportamento ou sinal de desconforto deve ser reconhecido pelo tutor, que deve buscar avaliação de um médico-veterinário. A prevenção continua sendo o melhor caminho para garantir saúde e bem-estar durante o inverno”, finaliza Thiago Fernandes.