
A celebração do Dia Nacional da Imunização, nesta terça-feira (9), chama a atenção para a importância das vacinas na prevenção de doenças e na proteção da saúde pública. Considerada uma das estratégias mais eficazes da medicina moderna, a imunização contribui para reduzir casos de enfermidades infecciosas, evitar complicações graves e diminuir a mortalidade em diferentes faixas etárias.
A data também serve de alerta diante da queda nas coberturas vacinais registrada nos últimos anos no Brasil. Especialistas apontam que fatores como a disseminação de informações falsas, a hesitação vacinal e dificuldades de acesso aos serviços de saúde têm contribuído para o cenário, aumentando o risco de retorno de doenças que já estavam sob controle.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), as vacinas evitam entre 3 milhões e 5 milhões de mortes por ano em todo o mundo. No Brasil, a população conta com o Programa Nacional de Imunizações (PNI), reconhecido internacionalmente por oferecer gratuitamente proteção contra doenças como sarampo, poliomielite, gripe, hepatites e HPV.
Para a alergista Ana Flávia Bernardes, a vacinação produz benefícios que vão além da proteção individual. De acordo com a especialista, a imunização ajuda a interromper a circulação de agentes infecciosos e protege pessoas mais vulneráveis.
“Quando uma pessoa se vacina, ela reduz significativamente o risco de contrair e transmitir doenças infecciosas. Isso protege não só o indivíduo, mas também pessoas mais vulneráveis, como idosos, crianças pequenas e pacientes imunossuprimidos”, afirma.
Proteção coletiva depende de altas coberturas vacinais
Especialistas destacam que a chamada imunidade coletiva depende da adesão da população às campanhas de vacinação. Quanto maior o número de pessoas imunizadas, menor a circulação de vírus e bactérias, reduzindo as chances de surtos e epidemias.
A segurança dos imunizantes também continua sendo um dos pontos reforçados por profissionais da saúde. Antes de chegarem à população, as vacinas passam por diversas etapas de avaliação científica e seguem sendo monitoradas após a aprovação pelos órgãos reguladores.
“As vacinas passam por rigorosos testes antes de serem disponibilizadas à população e continuam sendo acompanhadas mesmo após sua liberação. Esse processo garante eficácia e segurança”, explica Ana Flávia Bernardes.
Além de prevenir infecções, a vacinação reduz a ocorrência de quadros graves, internações hospitalares e mortes.
O impacto torna-se ainda mais relevante durante períodos de maior circulação de vírus respiratórios, como influenza e Covid-19, quando os sistemas de saúde costumam registrar aumento na demanda por atendimentos.
Outro ponto frequentemente abordado por especialistas envolve a vacinação de pessoas com histórico de alergias.
Segundo a alergista, salvo situações específicas avaliadas por profissionais de saúde, a maioria dos pacientes alérgicos pode receber os imunizantes normalmente.
“Muitas vezes existe insegurança em relação a reações alérgicas, mas a maioria dos pacientes alérgicos pode ser imunizada com segurança. A avaliação individualizada é essencial para garantir proteção adequada”, ressalta.
O Ministério da Saúde tem tratado a recuperação das coberturas vacinais como uma das prioridades da saúde pública. As ações incluem campanhas direcionadas a crianças, adolescentes e grupos considerados mais vulneráveis, além de iniciativas voltadas ao combate à desinformação.
A orientação dos especialistas é que a população mantenha a caderneta de vacinação atualizada e procure uma unidade de saúde para verificar possíveis doses em atraso.
A medida é considerada essencial para preservar conquistas históricas da saúde pública e evitar o reaparecimento de doenças que já foram controladas ou eliminadas no país.