
As mudanças recentes no fornecimento de medicamentos injetáveis pelo Sistema Único de Saúde (SUS), somadas à ampliação da oferta após o fim de patentes como a da semaglutida, têm gerado dúvidas entre pacientes sobre o uso das chamadas “canetas”. Questões como a necessidade de troca de dispositivo, diferenças entre modelos e riscos no uso incorreto passaram a fazer parte da rotina de quem depende dessas terapias.
Para esclarecer os principais pontos, o endocrinologista Daniel Minutti detalhou ao iG como funcionam as novas regras, o que muda na prática e quais cuidados são necessários para manter a segurança e a eficácia do tratamento.
“A troca não é automática e depende de avaliação clínica”
Pacientes precisam trocar a caneta que já utilizam?
“Não necessariamente. A troca não é automática. O que está acontecendo é uma ampliação das opções disponíveis no SUS, com diferentes tipos de dispositivos, como canetas descartáveis, reutilizáveis e até frascos. A escolha deve ser feita com base na avaliação médica e na realidade de cada paciente.”
O que muda com as novas regras de distribuição?
“O sistema público passou a trabalhar com múltiplas apresentações. Isso significa que o paciente pode receber dispositivos diferentes, desde que haja prescrição específica. Em alguns casos, será necessário atualizar o cadastro e a receita, porque estamos falando de formas distintas de aplicação.”
Existe risco ao mudar de dispositivo?
“Sim, se essa mudança ocorrer sem orientação adequada. Cada tipo de caneta tem um modo de uso próprio. As reutilizáveis, por exemplo, exigem a colocação de cartuchos e um manuseio diferente. Sem treinamento, há risco de erro na dosagem ou na aplicação.”

“Treinamento é essencial para garantir eficácia”
O paciente pode continuar com a mesma caneta?
“Pode, desde que tenha acesso ao mesmo modelo e que ele continue sendo adequado ao tratamento. Caso contrário, será preciso adaptar. O mais importante é garantir que o uso seja correto e seguro.”
Quando a troca se torna necessária?
“A substituição pode ocorrer por falta de estoque, mudanças na política de fornecimento ou até por indicação médica, quando outro dispositivo oferece melhor adaptação ao paciente. Mas isso sempre deve ser acompanhado clinicamente.”
O que deve ser feito ao trocar de caneta?
“É fundamental receber orientação e treinamento. O paciente precisa entender como preparar o dispositivo, aplicar corretamente e ajustar a dose. Esse acompanhamento evita falhas no tratamento.”
Mercado ampliado exige atenção redobrada
O aumento da oferta de medicamentos influencia essas mudanças?
“Sem dúvida. Com a quebra de patentes e a entrada de novos produtos, há mais opções disponíveis. Isso é positivo para o acesso, mas também aumenta a complexidade do manejo, porque cada medicamento pode vir com um dispositivo diferente.”
Há riscos fora do sistema oficial?
“Sim, e esse é um ponto crítico. Já existem relatos internacionais de dispositivos falsificados, especialmente em medicamentos injetáveis mais caros. Por isso, o paciente deve sempre adquirir produtos por canais regulamentados e com prescrição médica.”
Qual é a principal recomendação para os pacientes?
“A mensagem central é não interromper o tratamento e não fazer mudanças por conta própria. Qualquer alteração deve ser feita com orientação médica, prescrição atualizada e acompanhamento. Isso garante segurança e eficácia no controle da doença.”
Com a ampliação do acesso a medicamentos e a diversificação dos dispositivos, o cenário aponta para avanços no tratamento de doenças como diabetes e obesidade.
Ao mesmo tempo, reforça a necessidade de informação qualificada e acompanhamento contínuo para evitar erros e garantir resultados clínicos adequados.