
Cerca de 100 pessoas lotaram o Memorial de Arte Adélio Sarro (MAAS), em Vinhedo, na noite de 28 de março, para o concerto “De Volta ao Profano”. O evento reuniu solistas do coro lírico do Theatro Municipal de São Paulo e apostou em um formato interativo para desmistificar a ópera. Sob comando da CEO da Kenko Produções, Rita Ollé, a apresentação buscou conectar o público a árias famosas, promovendo risos e lágrimas em um ambiente próximo.
A iniciativa faz parte da série “Do Profano ao Sagrado e De Volta ao Profano”, que começou em fevereiro no Mosteiro de São Bento, na mesma cidade, atraindo mais de 300 espectadores para peças sacras.
Desta vez, o foco mudou para o cotidiano, o repertório incluiu sucessos como “Habanera”, de Carmen, “Nessun Dorma”, “Rainha da Noite”, “Toreador” e trechos de O Barbeiro de Sevilha. Cada peça ganhou tradução leve por meio do ator e clown João Bachega, que interagiu diretamente com a plateia.
Os cinco solistas, Caroline De Comi (soprano), Elaine Martorano (mezzo-soprano), Miguel Geraldi (tenor), Sebastião Teixeira (barítono) e Rafael Leoni (baixo-barítono), foram acompanhados ao piano por Ariel Magno. Essa combinação criou uma experiência imersiva, indo além do palco tradicional.
Do sagrado ao profano: ópera para todos
Rita Ollé explica o conceito com clareza. “Ópera não é gritaria. Ela fala da vida real, de sentimentos que todo mundo conhece”, afirma a produtora. “O nosso trabalho é traduzir isso e aproximar o público.”
A CEO enfatiza que o gênero já foi popular, mas perdeu espaço. “Queremos arrancar lágrimas, mas também risadas. A ópera só foi afastada das pessoas com o tempo”, completa.
O concerto reforça um posicionamento maior: a arte como ferramenta de mudança social. Ollé aponta que há talentos escondidos no interior paulista, invisíveis por falta de incentivo.
“Tem criança que nasce com dom e isso fica escondido. Quando levamos apresentações para escolas, os olhos brilham. Eles querem saber se aquilo pode ser profissão. E pode”, relata.
No ano passado, a opereta La Serva Padrona chegou a alunos da rede pública municipal de Vinhedo. Após o show, artistas e público trocaram ideias por mais de uma hora.

“Eles perguntavam tudo. Teve aluno que quis cantar. É isso que queremos: formar público e abrir caminhos”, recorda Rita.
Bastidores e apelo por patrocínios sustentáveis
Além da música, o projeto ativa uma rede produtiva. De figurinos a iluminação, passando por limpeza, cada edição gera empregos locais.
A Kenko viabiliza as ações via editais como o ProAC, do Governo de São Paulo, e a Lei Rouanet, que capta via incentivos fiscais. Ainda assim, a captação segue desafiadora.
Rita lança um chamado ao empresariado: “Por favor, deixem a gente apresentar nossos projetos. Vocês não vão tirar dinheiro do bolso. É um investimento que vem de até 3,6% do imposto que já seria pago”, pede. Para ela, o benefício é duplo.
“A marca se conecta com projetos sociais e culturais, ajuda a formar público e ainda atende à agenda ESG. É uma via de mão dupla”, argumenta.
O Memorial Adélio Sarro (MAAS) agregou valor ao evento. Com acessibilidade total, o espaço permite toque em obras de arte e visitas ao jardim externo e pavimento superior.
“Ópera é estilo musical. O que falta é educação cultural para mostrar que ela é acessível”, resume Ollé.
No encerramento, Rita Ollé dedicou palavras emocionadas aos apoiadores. “Grata por acreditarem em mim, nos meus projetos e principalmente por apoiar a Arte em sua forma operística, mesmo às vezes não sendo seu gênero musical preferido”.
Ela agradeceu ao público, a sua equipe (Valdomiro, Vinício e Ana), ao Coro Kenko e a Rafael Leoni, em especial " juntos choramos e rimos com a piada que tem sido viver de arte nesse país! Piada muitas vezes bem indigesta!”, desabafou. “Sem vocês teria sido muito mais difícil realizar esse projeto.”