
Valinhos inicia, a partir desta quarta-feira (1º), uma série de ações pelo Mês de Conscientização do Autismo, com a iluminação de seis pontos públicos na cor azul e a realização de eventos voltados à inclusão e informação. A iniciativa marca o Dia Mundial de Conscientização Sobre o Autismo, celebrado em 2 de abril, e busca dar visibilidade ao Transtorno do Espectro Autista (TEA), além de ampliar o debate sobre a realidade de pessoas autistas e suas famílias.
Entre os locais iluminados estão a sede da Prefeitura, a fonte em frente ao Paço Municipal, o Obelisco na Avenida dos Esportes, o Portal da cidade na Rodovia Guilherme Mamprim, além da UPA e da Upinha.
A iluminação especial será mantida ao longo de todo o mês como forma simbólica de chamar a atenção da população para a importância da inclusão e do respeito.
A programação também inclui a 3ª Caminhada pela Conscientização do Autismo, organizada pela Conexão Atípica com apoio da Prefeitura. O evento está marcado para o dia 12 de abril, a partir das 8h30, no CACC Adoniran Barbosa, e deve reunir famílias, profissionais e apoiadores da causa.
A proposta das ações é não apenas marcar a data, mas estimular a disseminação de informações sobre o TEA e fortalecer o debate público sobre políticas de inclusão e suporte.
Especialistas pedem informação responsável sobre o espectro
Enquanto iniciativas locais buscam ampliar a conscientização, especialistas destacam a necessidade de qualificar o debate sobre o autismo no país.
Estimativas apontam que cerca de 2,4 milhões de brasileiros vivem com o transtorno, número baseado em dados do IBGE e em parâmetros internacionais de prevalência.
Nos últimos anos, o tema ganhou espaço nas redes sociais, muitas vezes associado a conteúdos que destacam habilidades específicas ou características consideradas positivas.
Embora essa visibilidade contribua para reduzir preconceitos, há um alerta sobre o risco de simplificação da realidade.
Segundo a psicóloga Roseli Filizatti, coordenadora do curso de Psicologia do Centro Universitário Unimetrocamp Wyden, a chamada “romantização do autismo” pode distorcer a compreensão do transtorno.
“A maior parte das famílias enfrenta desafios importantes no cotidiano, que vão desde dificuldades de comunicação e socialização até questões relacionadas à autonomia e à adaptação escolar. Quando o autismo é retratado apenas de forma idealizada, corre-se o risco de invisibilizar essas demandas”, afirma.
O Transtorno do Espectro Autista engloba uma ampla variedade de manifestações, que podem incluir alterações no desenvolvimento neurológico, impactando comunicação, comportamento e interação social. Por se tratar de um espectro, cada pessoa apresenta características e necessidades diferentes, com níveis variados de suporte.
Para muitas famílias, o acesso ao diagnóstico e ao acompanhamento especializado ainda é um desafio.
O atendimento geralmente envolve uma equipe multidisciplinar, com profissionais como psicólogos, terapeutas ocupacionais, fonoaudiólogos e pedagogos.
Dados do Ministério da Saúde indicam que o diagnóstico precoce e a intervenção adequada são determinantes para o desenvolvimento e a qualidade de vida.
Apesar de avanços legais, como a Lei Berenice Piana (nº 12.764/2012), que reconhece a pessoa com TEA como pessoa com deficiência para todos os efeitos legais, especialistas apontam que a aplicação dessas garantias ainda enfrenta entraves, especialmente na ampliação da rede de atendimento e na capacitação de profissionais.
Roseli reforça que o equilíbrio entre valorização das potencialidades e reconhecimento dos desafios é essencial. “É fundamental valorizar as potencialidades das pessoas autistas, mas sem ignorar as dificuldades. Informação qualificada ajuda a combater estigmas e a garantir que as necessidades de suporte sejam reconhecidas”, diz.