O Dia do Carpinteiro e do Marceneiro, celebrado em 19 de março, destaca a relevância de dois ofícios tradicionais que seguem em expansão na área atendida pelo escritório regional de Campinas . Levantamento do Sebrae-SP mostra que as 22 cidades somam 2.430 profissionais atuando nas áreas de marcenaria e carpintaria, sendo 1.597 microempreendedores individuais (MEIs), 728 microempresas (MEs) e 105 empresas de pequeno porte (EPPs).
Os dados evidenciam a força do setor, impulsionado principalmente pela busca por soluções personalizadas e sob medida. Campinas lidera o ranking regional com 915 profissionais, seguida por Hortolândia (300), Indaiatuba (251), Sumaré (218) e Valinhos (128).
Tradição familiar e foco no alto padrão
Em Valinhos, a trajetória de Rodrigo Lovato exemplifica a continuidade e a evolução da marcenaria ao longo das gerações.
À frente da Lovato Marcenaria, ele representa a terceira geração da família no ramo. “Já são três gerações envolvidas na marcenaria. Eu sou filho e neto de marceneiros e cresci dentro desse ambiente”, conta.
A empresa, que tem mais de 50 anos de história, passou por um processo de reestruturação em 2002, quando ganhou o nome atual e iniciou uma nova fase de crescimento.
Hoje, o foco está em projetos personalizados e de alto padrão, com atuação junto a arquitetos e clientes que buscam exclusividade.
“Cada projeto nosso é único e totalmente pensado nas necessidades e vontades dos clientes. Trabalhamos com materiais nobres, tecnologia de ponta e acabamentos detalhistas para refletir a personalidade de quem vai viver naquele espaço”, afirma Rodrigo.
O empresário destaca que o próximo passo é expandir a atuação da marca. “A gente quer ir além de Valinhos e da região. Temos planos bastante audaciosos para os próximos anos”, diz.
Crescimento e profissionalização do setor
No Estado de São Paulo, o número de profissionais formalizados como MEI nas duas áreas cresceu nos últimos anos. Entre carpinteiros, o aumento foi de 32,2%, passando de 3.398 em 2021 para 4.492 em 2025. Já entre marceneiros, o crescimento foi de 8,7%, com o total subindo de 22.856 para 24.836 no mesmo período.
Para Rodrigo, além da técnica, a gestão é um fator decisivo para o sucesso do negócio. Ele ressalta o papel do Sebrae-SP nesse processo.
“A gente sempre teve a técnica do ofício, porque crescemos dentro da marcenaria, mas administrar a empresa é totalmente diferente. Muito do nosso conhecimento de gestão foi desenvolvido com cursos, palestras e consultorias do Sebrae”, relata.
A consultora de negócios do Sebrae-SP, Sandra Fiorentini, explica que o crescimento do setor está diretamente ligado ao comportamento do consumidor. Segundo ela, a redução dos espaços residenciais tem impulsionado a procura por móveis sob medida.
“Diferente dos móveis planejados, que utilizam módulos pré-fabricados, o trabalho desses profissionais permite a criação de peças 100% personalizadas. Isso é fundamental para otimizar espaços reduzidos e garantir funcionalidade”, afirma.
Nicho e posicionamento como diferencial
A orientação para quem deseja ingressar no setor é investir em capacitação e buscar um posicionamento claro no mercado. A definição de um nicho pode ser determinante para o crescimento sustentável.
“Quando você se torna especialista, o mercado para de te comparar pelo preço e passa a te procurar pela exclusividade”, destaca Sandra.
Rodrigo reforça a importância desse direcionamento. “É fundamental estudar bastante e tentar se posicionar em um segmento mais especializado, como o de alto padrão, para conseguir manter a essência da marcenaria e se diferenciar”, conclui.