Casos de maus-tratos e intervenções irregulares na fauna silvestre mobilizaram ações recentes das prefeituras de Itupeva e Vinhedo, com foco na proteção animal e no cumprimento da legislação ambiental . Enquanto Itupeva intensificou fiscalizações após denúncias, Vinhedo reforçou orientações à população sobre como agir diante da presença de maritacas em residências.
Em Itupeva, o Departamento de Fauna e Bem-Estar Animal, com apoio da Guarda Civil Municipal, atendeu na última sexta-feira (13) uma ocorrência no bairro Rio das Pedras, após denúncias de maus-tratos.
Segundo moradores, cães viviam soltos nas ruas, sem alimentação adequada, chegando a se alimentar de lixo. Diante da situação, vizinhos passaram a fornecer ração para evitar que os animais passassem fome.
Relatos também apontam que dois cães morreram após serem atropelados, já que permaneciam constantemente nas vias públicas.
Testemunhas afirmaram ainda que o tutor agredia verbalmente os animais e teria ameaçado envenená-los.
Os animais resgatados passarão por acompanhamento clínico, serão castrados e, posteriormente, disponibilizados para adoção.
Outro caso acompanhado pelo departamento envolve a retirada irregular de maritacas de forros de residências em um condomínio.
As aves, encontradas em estado de desnutrição, foram encaminhadas à Associação Mata Ciliar, em Jundiaí.
Orientação evita riscos à fauna silvestre
Em Vinhedo, a Guarda Civil Municipal (GCM) alerta moradores para não retirarem filhotes de maritaca de ninhos instalados em telhados ou forros de casas, mesmo quando há incômodo causado pelo barulho.
A recomendação é aguardar o desenvolvimento natural das aves, já que a retirada precoce pode comprometer sua sobrevivência.
De acordo com a orientação, os filhotes dependem dos pais para alimentação e proteção. A retirada, além de prejudicar o ciclo de vida das aves, pode configurar crime ambiental, conforme prevê a legislação brasileira.
Após a saída dos animais, a recomendação é que moradores realizem o fechamento de frestas e aberturas nos imóveis, evitando o retorno das aves.
Outra medida sugerida é o plantio de árvores nos quintais, criando ambientes mais adequados para a nidificação fora das estruturas urbanas.
A Associação Mata Ciliar também reforça que não recebe filhotes retirados do ninho quando há indícios de intervenção humana, destacando que a permanência com os pais é essencial para o desenvolvimento saudável.
Legislação prevê punições
Tanto os casos registrados em Itupeva quanto as orientações emitidas em Vinhedo estão amparados na legislação federal de proteção à fauna, que considera crime ambiental práticas como maus-tratos, abandono e captura irregular de animais silvestres sem autorização.
As administrações municipais destacam a importância da participação da população, seja por meio de denúncias ou pela adoção de práticas responsáveis no convívio com animais.
A colaboração dos moradores é considerada fundamental para fortalecer a rede de proteção e garantir o bem-estar da fauna doméstica e silvestre.
Como encaminhamento, órgãos municipais devem seguir com ações de fiscalização, orientação e atendimento a ocorrências, ampliando o alcance das políticas públicas voltadas à causa animal na região.