
A rede de proteção social de Vinhedo articulou dois reencontros familiares nas últimas semanas, após abordagens realizadas pelo Serviço Especializado de Abordagem Social (SEAS). Em um dos casos, a equipe identificou Kelvin, jovem acompanhado pela psiquiatria e desaparecido há mais de 30 dias em São Carlos. Ele estava na cidade havia três dias quando foi localizado e acolhido pelo serviço, que confirmou a situação durante a escuta qualificada e acionou imediatamente a família.
No próprio espaço do SEAS, o reencontro aconteceu com segurança, encerrando um período de incerteza que mobilizava parentes e autoridades em sua cidade de origem.
A equipe destacou que a identificação rápida foi possível graças à articulação direta com a rede de assistência e à avaliação sensível das vulnerabilidades do jovem.
Outra ação recente também reconstruiu laço de longa data
Em atendimento distinto, a equipe conseguiu localizar os familiares de José Adriano, que vivia em situação de rua em Vinhedo e não mantinha contato com a família havia duas décadas.

A partir da abordagem técnica, o SEAS reuniu informações, acionou a rede e possibilitou a retomada do vínculo interrompido há 20 anos.
Os profissionais responsáveis pela ação ressaltam que intervenções desse tipo exigem tempo, escuta atenta e articulação constante com serviços de diferentes municípios, especialmente quando a pessoa atendida está distante do território de origem.
Atuação reforça papel da assistência na proteção social
Casos como os de Kelvin e José Adriano evidenciam a importância do SEAS na identificação de pessoas em situação de vulnerabilidade, tanto no atendimento diário quanto na resposta a situações complexas, como desaparecimentos, rompimento de vínculos ou ausência de referências familiares.
O serviço atua na rua, estabelece diálogo com quem precisa de apoio e aciona a rede conforme cada necessidade — do acolhimento imediato ao retorno seguro ao convívio familiar.
Cadastro Nacional de Pessoas Desaparecidas: veja como funciona
Lançado pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública em 27 de agosto de 2025, em Brasília, o Cadastro Nacional de Pessoas Desaparecidas (CNPD) passou a reunir em um sistema único informações de todo o País sobre registros de desaparecimentos, com a proposta de padronizar dados, facilitar o cruzamento de informações e acelerar investigações nas diferentes unidades federativas.
Sistema centraliza dados e segue parâmetros nacionais
O CNPD foi desenvolvido com base na Lei nº 13.812/2019, que estabeleceu a Política Nacional de Busca de Pessoas Desaparecidas. A plataforma opera com três bases integradas: informações públicas, informações sigilosas e dados genéticos e não genéticos, permitindo que equipes de segurança acessem registros consolidados e atualizados.
Um dos pontos estruturais do sistema é a integração automática dos boletins de ocorrência.
Sempre que um desaparecimento é registrado em delegacias estaduais ou do Distrito Federal, o caso passa diretamente ao banco nacional por meio do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública, Integração (Sinesp Integração). As ocorrências de localização seguem o mesmo fluxo.
Na fase inicial, já foram incorporados 12 Estados que utilizam o Procedimento Policial Eletrônico: Acre, Alagoas, Amapá, Amazonas, Bahia, Maranhão, Piauí, Rio Grande do Norte, Rondônia, Roraima, Sergipe e Tocantins.
Outras 14 unidades federativas firmaram compromisso para aderir ao compartilhamento de dados, ampliando o alcance do sistema e a expectativa de consolidação nacional.
Painel público facilita acesso e envolve sociedade
A plataforma conta também com um painel público, destinado à consulta da sociedade civil.
O espaço exibe fotos e informações básicas de desaparecimentos, sempre após autorização da família e avaliação feita pela Polícia Civil de origem.
O painel permite filtrar casos por idade, nome, município, data do desaparecimento e outros critérios, além de compartilhar os banners nas redes sociais.
As imagens trazem QR Code para checagem de autenticidade e indicação de canais de contato, incluindo telefones 181 e 197, além dos e-mails e números de WhatsApp fornecidos pelos Estados.
A retirada de um banner ocorre somente após o registro da ocorrência de localização.
Durante entrevista coletiva no lançamento, o secretário Nacional de Segurança Pública, Mario Sarrubbo, afirmou que a consolidação da base responde a uma demanda histórica de familiares e de profissionais envolvidos nas buscas.
“O cadastro é resultado do trabalho das instituições de segurança, das unidades federativas e de organizações que se dedicam ao tema. A participação da sociedade é fundamental para ampliar a efetividade das buscas”, disse.
Ferramenta é considerada avanço por órgãos de segurança
Para delegacias e equipes de investigação, a integração dos boletins de ocorrência representa avanço na redução de duplicidade de registros e no cruzamento de informações.
A unificação também permite identificar padrões regionais, localizar pessoas que mudaram de Estado e atualizar bases que antes funcionavam de forma isolada.
Além da plataforma, o governo apresentou dados recentes sobre o cenário nacional. Em 2024, o País registrou 81 mil desaparecimentos, dos quais 55 mil foram solucionados, equivalente a 68% de localização.
A expectativa é que a centralização nacional permita elevar esse percentual nos próximos anos.
Campanha reforça importância do registro imediato
O lançamento incluiu a divulgação de nova etapa da campanha Não Espere 24h, realizada em parceria com o Grupo Piracanjuba.
A iniciativa utiliza inteligência artificial para atualizar imagens de pessoas desaparecidas, simulando como estariam atualmente, e divulga os retratos em embalagens de leite.
As caixas passaram a exibir também o selo #NãoEspere24h, reforçando que o boletim de ocorrência deve ser registrado imediatamente, sem necessidade de aguardar um dia completo.
O Ministério da Justiça avalia que a padronização dos dados e a ampla participação social devem fortalecer as investigações e reduzir lacunas históricas na busca por pessoas desaparecidas no País.