Dia Mundial do Cão: por que os cães estão vivendo mais?

Avanços na Medicina Veterinária aumentaram a longevidade, mas prevenção é essencial para garantir qualidade de vida

O aumento da longevidade traz outro desafio: acompanhar as mudanças que aparecem com o envelhecimento
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O aumento da longevidade traz outro desafio: acompanhar as mudanças que aparecem com o envelhecimento

Cães que chegam aos 15, 16 ou até mais de 18 anos já não são uma raridade como eram há décadas . O aumento da expectativa de vida está relacionado à evolução da Medicina Veterinária, à vacinação, à melhora da alimentação e ao maior cuidado dos responsáveis . No Dia Mundial do Cão, celebrado nesta quarta-feira (26), especialistas alertam que viver mais não significa, necessariamente, envelhecer com saúde.

O Brasil tem aproximadamente 68 milhões de cães, segundo o Instituto Pet Brasil (IPB). A presença desses animais nos lares também mudou.

Cada vez mais, eles são considerados integrantes das famílias e passam a receber acompanhamento veterinário, exames preventivos, alimentação específica e cuidados de saúde ao longo de diferentes fases da vida.

Para o médico-veterinário e diretor-geral da Faculdade de Medicina Veterinária Qualittas, Francis Flosi, a evolução dos cuidados explica parte desse aumento da longevidade.

“Hoje observamos cães vivendo 15, 16 e até mais de 18 anos, algo muito menos comum há algumas décadas. Esse aumento da longevidade é resultado da evolução da Medicina Veterinária, da vacinação, da alimentação de melhor qualidade e do maior comprometimento dos responsáveis pelos animais.”

Prevenção ajuda a detectar doenças antes dos sintomas

Assim como ocorre na medicina humana, o acompanhamento preventivo pode fazer diferença na saúde dos cães. Consultas regulares permitem identificar alterações antes que elas provoquem sintomas mais evidentes.

Doenças cardíacas, renais e endócrinas, além de alguns tipos de câncer, podem ser detectadas precocemente por meio do acompanhamento veterinário e de exames.

“Muitas doenças cardíacas, renais, endócrinas e até alguns tipos de câncer podem ser identificados antes do aparecimento dos sintomas quando o animal realiza acompanhamento preventivo”, explica Flosi.

Entre os cuidados estão a vacinação, o controle de pulgas, carrapatos e verminoses, a alimentação balanceada, o controle do peso, a atividade física, a higiene bucal e os exames laboratoriais. O check-up anual também é recomendado, enquanto cães idosos podem precisar de avaliações semestrais.

Peso também influencia a longevidade

Se os avanços da Medicina Veterinária ajudam os cães a viver mais, alguns hábitos do cotidiano podem trabalhar na direção contrária.

A obesidade está entre os problemas que preocupam os especialistas e pode aumentar o risco de diabetes, doenças articulares e alterações cardiovasculares.

O excesso de peso também pode reduzir a expectativa de vida do animal.

Para Flosi, um dos problemas está na associação entre comida e demonstração de afeto.

“Muitos responsáveis demonstram carinho oferecendo alimentos fora da dieta ou excesso de petiscos. O resultado pode ser justamente o contrário do esperado, comprometendo a saúde e reduzindo a qualidade de vida do animal.”

Por isso, controlar a quantidade e a qualidade dos alimentos oferecidos é parte importante da rotina. A prática de exercícios também deve acompanhar as condições físicas e a idade de cada cão.


Cada fase da vida exige um cuidado diferente

O aumento da longevidade traz outro desafio: acompanhar as mudanças que aparecem com o envelhecimento. Cardiopatias, insuficiência renal, alterações hormonais, câncer, artrose e declínio cognitivo estão entre os problemas que podem surgir com o avanço da idade.

O cuidado, portanto, não deve ser o mesmo durante toda a vida do animal.

“O acompanhamento do cão deve mudar conforme cada fase da vida. Filhotes, adultos e idosos possuem necessidades completamente diferentes”, afirma Flosi.

Na prática, isso significa que alimentação, atividade física, frequência das consultas e exames podem precisar de ajustes conforme o cão envelhece.

Dia Mundial do Cão também chama atenção para a adoção

A data também serve como oportunidade para discutir a responsabilidade envolvida na decisão de ter um animal.

Adotar um cão significa assumir um compromisso que pode durar muitos anos. Além de oferecer alimentação e abrigo, o responsável precisa considerar vacinação, cuidados veterinários, segurança, higiene, atividade física e atenção durante todas as fases da vida.

A escolha deve levar em conta a rotina e as condições da família. Com cães vivendo cada vez mais, a adoção representa um compromisso de longo prazo, que começa na chegada do animal e segue durante seu envelhecimento.

Assim, a principal mudança provocada pelos avanços da Medicina Veterinária não está apenas no número de anos que um cão pode viver. A prevenção busca fazer com que esses anos sejam acompanhados de saúde, bem-estar e qualidade de vida.