
O Agosto Branco, campanha de conscientização sobre o câncer de pulmão, ganha em 2026 um novo ponto de atenção : a ampliação dos critérios para rastreamento da doença . A atualização aumenta a faixa etária considerada para a busca precoce do câncer e elimina o limite de tempo desde a interrupção do tabagismo para ex-fumantes. Com isso, mais pessoas podem ser avaliadas dentro do grupo de maior risco.
O câncer de pulmão está entre os tipos mais incidentes e letais no mundo. No Brasil, são cerca de 32 mil novos casos por ano, segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA).
No cenário global, a Organização Mundial da Saúde (OMS) estima aproximadamente 1,8 milhão de mortes anuais relacionadas à doença.
A mudança nos critérios acompanha evidências científicas que apontam que o risco de desenvolver câncer de pulmão pode permanecer por décadas após a pessoa deixar de fumar.
Para o pneumologista Flávio Arbex, a atualização pode contribuir para identificar a doença mais cedo e ampliar as possibilidades de tratamento.
“A retirada do limite de tempo desde a cessação amplia significativamente o número de pessoas elegíveis para o rastreamento, o que pode impactar diretamente na detecção precoce e na redução da mortalidade”, explica Arbex.
Faixa etária é ampliada
Entre as principais alterações está a ampliação da faixa etária indicada para rastreamento. O novo critério passa a considerar pessoas entre 50 e 80 anos.
Outro fator permanece essencial para definir o grupo de risco: o histórico de tabagismo. A recomendação mantém como referência uma carga tabágica significativa, equivalente a mais de 20 anos/maço.
A principal mudança, entretanto, está no período transcorrido desde que o fumante abandonou o cigarro.
Antes, o rastreamento considerava pessoas que haviam parado de fumar havia até 15 anos. Com o novo protocolo, esse limite deixa de existir.
Assim, ex-fumantes podem ser considerados para rastreamento mesmo que tenham interrompido o hábito há mais de 15 anos.
A alteração considera que os efeitos da exposição ao tabaco podem continuar representando um fator de risco por um período prolongado.
Doença costuma ser silenciosa
O câncer de pulmão é considerado altamente agressivo e, em seus estágios iniciais, pode não provocar sintomas perceptíveis. Por isso, muitos casos ainda são identificados quando a doença já está avançada.
Entre os sinais que podem aparecer estão tosse persistente, falta de ar, dor torácica e perda de peso. No entanto, esses sintomas costumam surgir em fases mais avançadas, o que reforça a importância de estratégias direcionadas às pessoas que apresentam maior risco.
Nesse contexto, a tomografia computadorizada de baixa dose se destaca como principal exame utilizado para a detecção precoce dentro dos grupos indicados para rastreamento.
O exame permite identificar alterações pulmonares e possíveis tumores em fases iniciais. Quando a doença é descoberta precocemente, as chances de tratamento eficaz e de cura são significativamente maiores.
O rastreamento, entretanto, não deve ser confundido com a investigação de sintomas. Pessoas que apresentam sinais suspeitos precisam buscar avaliação médica, independentemente de se enquadrarem ou não nos critérios destinados ao rastreamento.
Parar de fumar continua essencial
Apesar da ampliação dos critérios para rastreamento, a prevenção continua sendo a principal estratégia contra o câncer de pulmão.
O tabagismo permanece como o principal fator de risco e está associado a cerca de 85% dos casos.
Por isso, abandonar o cigarro continua sendo uma das medidas mais importantes para reduzir o risco da doença.
Os benefícios da cessação aparecem em qualquer fase da vida, com redução progressiva dos riscos ao longo do tempo.
A mudança nos critérios também reforça a necessidade de atenção ao histórico dos ex-fumantes.
Mesmo depois de muitos anos sem fumar, o risco pode continuar relevante, razão pela qual o novo protocolo deixa de estabelecer um período máximo desde a cessação.
Além do tabagismo, o Agosto Branco chama atenção para a necessidade de políticas públicas voltadas ao controle do consumo de tabaco e à melhoria da qualidade do ar. A ampliação do acesso aos exames de rastreamento também integra esse cenário.
Diagnóstico precoce pode mudar o tratamento
A identificação do câncer de pulmão em fases iniciais é um dos principais objetivos das estratégias de rastreamento.
Como a doença pode permanecer silenciosa por um longo período, esperar pelo surgimento de sintomas pode significar descobrir o tumor em uma etapa mais avançada.
Por isso, a atualização dos critérios representa uma mudança importante na estratégia de identificação da doença.
Ao ampliar a faixa etária e retirar o limite de 15 anos para quem deixou de fumar, o protocolo passa a alcançar um grupo maior de pessoas potencialmente expostas ao risco.
O objetivo não é indicar exames indiscriminadamente, mas direcionar o rastreamento para quem apresenta características associadas a maior possibilidade de desenvolver a doença.
Durante o Agosto Branco, especialistas reforçam que prevenção, controle do tabagismo, avaliação médica e diagnóstico precoce devem caminhar juntos.
Para pessoas com histórico relevante de tabagismo, a orientação profissional é fundamental para verificar os critérios de rastreamento e definir a melhor estratégia de acompanhamento.