Doces e salgados atraem empreendedores em São Paulo

Pesquisa do Sebrae-SP revela perfil, investimento inicial e estratégias de venda no setor

134 mil MEIs atuam na venda de doces, salgados, bolos e lanches
Foto: Foto: Reprodução/ Divulgação
134 mil MEIs atuam na venda de doces, salgados, bolos e lanches

Transformar receitas em renda tem sido o caminho de milhares de paulistas. Pesquisa do Sebrae-SP mostra que 134 mil Microempreendedores Individuais (MEIs) atuam hoje na venda de doces, salgados, bolos e lanches no estado de São Paulo . Para entrar no setor, o investimento inicial gira em torno de R$ 5,3 mil, valor considerado acessível, mas que exige planejamento para garantir a sobrevivência do negócio.

Segundo o levantamento “Empreendedorismo na confeitaria e salgaderia”, o investimento médio foi de R$ 5.345,16.

Metade dos entrevistados trabalhava com carteira assinada antes de empreender, sinal de que a decisão, em muitos casos, foi planejada.

A principal motivação foi a busca por independência e autonomia (21%), seguida pelo desejo de transformar uma ideia ou paixão em algo concreto (20%) e pela identificação de uma oportunidade de mercado (16%).

Essa combinação aparece de forma clara na trajetória de Drielly Cruz, fundadora da La Panela Brigaderia, especializada em doces finos, bolos e experiências gastronômicas para eventos, com foco em casamentos.

Drielly Cruz, fundadora da La Panela Brigaderia
Foto: FOTO: Arquivo Pessoal
Drielly Cruz, fundadora da La Panela Brigaderia


“Foi uma mistura de independência com o desejo de transformar uma habilidade em fonte de renda. A confeitaria sempre fez parte da minha vida, e percebi que poderia construir algo com identidade e propósito”, afirma.

Da engenharia civil à confeitaria profissional

Antes de empreender, Drielly seguia outro caminho profissional. Formada em engenharia civil, ela decidiu mudar de área em 2019. “Não foi uma decisão impulsiva. Eu já tinha paixão pela confeitaria e enxerguei nela uma oportunidade real de alinhar trabalho, propósito e qualidade de vida”, conta.

Desde então, a La Panela Brigaderia já participou de mais de 250 eventos corporativos e sociais e entregou mais de 40 mil pedidos, entre encomendas, atendimento no balcão e eventos.

“A confeitaria me permite participar de momentos importantes das pessoas. Existe uma conexão emocional muito forte entre doces e memórias afetivas, e isso sempre me encantou”, diz.

Produção enxuta e vendas sob encomenda

Assim como a maioria dos empreendedores do setor, Drielly optou por um modelo sem ponto físico aberto ao público. A pesquisa aponta que 58% dos MEIs produzem em casa, enquanto 22% atuam em lojas de rua e 10% em quiosques ou shoppings.

“Atualmente, produzo em estrutura própria e trabalho principalmente com encomendas e eventos”, explica. Segundo ela, o formato ajuda a reduzir custos fixos, mas exige organização.

“Tudo é feito sob demanda. Isso pede planejamento de produção, controle de estoque e logística bem alinhada, porque cada pedido é personalizado.”

Redes sociais viram vitrine e canal de vendas

O estudo do Sebrae-SP revela que 40% dos empreendedores utilizam as redes sociais como principal canal de vendas, superando o ponto físico. Esse dado se reflete na rotina da La Panela Brigaderia.

“O Instagram é nossa principal vitrine. Mostramos bastidores, processos, o cuidado com os detalhes e a experiência que o cliente vai receber”, afirma Drielly.

Além das redes sociais, a marca também conta com um site próprio. “As indicações dos clientes têm um peso enorme. Quando alguém contrata doces para um casamento, a confiança é fundamental”, completa.

A escolha pelas plataformas digitais ajuda a explicar por que 39% dos entrevistados apontaram o marketing digital como o tema mais desejado para desenvolvimento profissional.


Cardápio tradicional ainda domina o mercado

Apesar do crescimento de propostas autorais, o consumo ainda é guiado pela tradição. A pesquisa mostra que 64% vendem salgados clássicos, como coxinha, empada, rissole, esfirra e quibe. No segmento doce, 66% comercializam bolos simples ou tradicionais, e 63% apostam em doces tradicionais.

A escala de produção também segue enxuta: metade dos empreendedores produz até 150 unidades por mês, em média. O tíquete médio acompanha esse perfil: 68% registram vendas de até R$ 50 por cliente.

Custos em alta e concorrência acirrada

Entre os principais desafios para crescer, Drielly destaca o aumento dos custos e a necessidade de gestão financeira.

“Os insumos ficaram mais caros, e o desafio é manter preços justos sem perder qualidade. Além disso, a divulgação precisa ser constante e estratégica para se destacar em um mercado cada vez mais competitivo”, afirma.

Para o Sebrae-SP, o cenário reforça a importância da qualificação e do planejamento. “Os dados mostram empreendedores mais conscientes, que entram no setor por escolha e não por falta de alternativa”, avalia o consultor Pedro João Gonçalves.

A pesquisa

O levantamento foi realizado entre 8 e 20 de maio, com 900 questionários respondidos por doceiras, salgadeiras, confeiteiras, boleiras e cozinheiras em todo o Estado de São Paulo.