Especialista alerta para impacto da escola na saúde mental

Neurocientista destaca importância do suporte emocional para reduzir estresse e melhorar o aprendizado

Pressão por desempenho, demandas pedagógicas e exigências emocionais do cotidiano acabam contribuindo para casos de estresse, ansiedade e fadiga mental
Foto: Foto: Quizizz/ Divulgação
Pressão por desempenho, demandas pedagógicas e exigências emocionais do cotidiano acabam contribuindo para casos de estresse, ansiedade e fadiga mental

A rotina escolar pode ser marcada por aprendizado e desenvolvimento , mas também apresenta desafios que afetam diretamente a saúde mental de professores, alunos e familiares . Pressão por desempenho, demandas pedagógicas e exigências emocionais do cotidiano acabam contribuindo para casos de estresse, ansiedade e fadiga mental.

A neurocientista educacional Jéssica Zuzi, especialista em gestão de sala de aula e comportamento estudantil, ressalta a necessidade de atenção à saúde emocional ao longo de toda a jornada escolar, da educação infantil ao ensino médio.

Sobrecarga e esgotamento

Entre os principais fatores que influenciam o bem-estar dos educadores estão o alto número de alunos por sala, tarefas administrativas, exigências pedagógicas e ausência de apoio institucional. Segundo a especialista, esse cenário favorece quadros de esgotamento e burnout.

“Muitas vezes, o professor precisa lidar não apenas com o ensino, mas também com questões emocionais dos alunos, expectativas das famílias e burocracias escolares. Sem suporte adequado, essa sobrecarga compromete sua saúde mental e a qualidade do ensino”, explica Jéssica.

O impacto também chega às famílias, que enfrentam a pressão de acompanhar o desempenho acadêmico dos filhos sem gerar frustração ou tensão. “O desafio é equilibrar expectativas e oferecer apoio sem transformar o acompanhamento escolar em fonte de estresse dentro de casa”, acrescenta a neurocientista.

Caminhos para promover o equilíbrio emocional

Muitas vezes, o professor precisa lidar não apenas com o ensino, mas também com questões emocionais dos alunos, expectativas das famílias e burocracias escolares', Jéssica Zuzi
Foto: FOTO: Arquivo Pessoal
Muitas vezes, o professor precisa lidar não apenas com o ensino, mas também com questões emocionais dos alunos, expectativas das famílias e burocracias escolares', Jéssica Zuzi

Para reduzir os efeitos negativos do ambiente escolar sobre professores e pais, Jéssica Zuzi recomenda algumas ações práticas:

- Estimular um ambiente acolhedor e encorajador, tanto em casa quanto na escola, para diminuir o medo de errar.

- Respeitar o ritmo de aprendizado de cada aluno, evitando comparações que possam gerar ansiedade.

- Atentar-se à própria saúde mental e buscar apoio profissional quando necessário.

- Reforçar a comunicação entre família e escola para diminuir a sobrecarga emocional.

- Garantir momentos de descanso e autocuidado para equilibrar responsabilidades e lazer.


O papel das instituições

A especialista também defende que as escolas devem ser protagonistas na criação de um ambiente emocionalmente saudável, investindo em formação continuada, espaços de escuta e estratégias para lidar com a pressão cotidiana.

“Quando educadores e famílias mantêm equilíbrio emocional, conseguem proporcionar um ambiente mais seguro e motivador para os alunos, favorecendo o aprendizado e o desenvolvimento pessoal”, conclui Jéssica Zuzi.

Cuidar da saúde mental no contexto escolar, segundo a especialista, é essencial para construir um ensino mais eficaz e humanizado, contribuindo para o desenvolvimento cognitivo e emocional dos estudantes.